Naufrágio do Bayesian (yacht) não terá sido causado por tempestade

A investigação ao naufrágio do superiate de luxo Bayesian (yacht), ocorrido ao largo da costa da Sicília em agosto de 2024, indica que o acidente não terá sido provocado por uma tempestade de grande intensidade, contrariando as primeiras suspeitas após o desastre.

A investigação ao naufrágio do superiate de luxo Bayesian
Naufrágio do Bayesian (yacht) não terá sido causado por tempestade © Family Handout/PA Wire

Segundo os investigadores italianos, as condições meteorológicas registadas no momento eram equivalentes a uma “ligeira trovoada”, com uma subida repentina da intensidade do vento e precipitação associada a instabilidade atmosférica. Ainda assim, as autoridades sublinham que tais condições não seriam, em princípio, suficientes para provocar o afundamento de uma embarcação de grande porte como o iate em causa.

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O Bayesian (yacht) afundou-se de forma rápida e inesperada, num cenário que apanhou de surpresa passageiros e tripulação. A embarcação, avaliada em cerca de 30 milhões de libras, acabou por sucumbir em poucos minutos, levantando dúvidas sobre a gestão da emergência a bordo.

O naufrágio provocou um total de sete vítimas mortais, entre as quais o empresário britânico Mike Lynch e a sua filha, Hannah Lynch, de 18 anos, que viajavam no iate em contexto de férias.

Investigação aponta para possível erro humano e falhas operacionais

Perante os elementos recolhidos, os investigadores admitem que o naufrágio poderá estar relacionado com ações inadequadas da tripulação ou falhas na resposta ao incidente, estando em cima da mesa a possibilidade de erro humano.

As autoridades italianas estão a avaliar a eventual responsabilidade criminal do comandante e de dois membros da tripulação, podendo avançar com acusações de homicídio involuntário e naufrágio negligente. O processo encontra-se ainda em fase preliminar, mas os procuradores sublinham que o comportamento da equipa técnica a bordo está sob análise detalhada.

No total, seguiam a bordo 22 pessoas, incluindo 12 passageiros e 10 tripulantes. Entre os sobreviventes encontra-se Angela Bacares, esposa de Mike Lynch, que conseguiu ser resgatada durante a operação de emergência.

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As vítimas mortais incluem ainda figuras de destaque internacional, como Jonathan Bloomer, presidente internacional do Morgan Stanley, a sua esposa Judy Bloomer, o advogado Chris Morvillo e a sua esposa Neda Morvillo, além do chef do iate, Recaldo Thomas.

Debate sobre evacuação e atuação da tripulação sob escrutínio

Um dos pontos mais sensíveis da investigação prende-se com a forma como a evacuação foi conduzida. Segundo informações em análise, parte da tripulação terá abandonado a embarcação enquanto ainda havia passageiros a bordo, o que está a ser investigado pelas autoridades italianas.

Os procuradores têm procurado apurar em que medida os ocupantes foram alertados para o perigo e se houve tempo e condições para uma evacuação segura. Está também a ser analisado o tempo de resposta entre o início da emergência e o momento em que o iate se afundou.

As autoridades sublinham ainda que não existe obrigação legal de permanência em território italiano por parte dos envolvidos, mas reforçam que esperam total cooperação com a investigação em curso.

Disputa judicial e acusações sobre responsabilidade do desastre

O caso ganhou ainda contornos judiciais e financeiros significativos após o grupo proprietário do iate, a empresa Italian Sea Group, ter atribuído a responsabilidade do naufrágio a alegadas falhas da tripulação.

O grupo chegou mesmo a avançar com uma ação judicial contra a viúva de Mike Lynch, exigindo uma indemnização de cerca de 400 milhões de libras, alegando perdas comerciais significativas associadas à imagem do desastre.

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Giovanni Costantino, responsável da empresa, afirmou publicamente que o iate era “inafundável” e que a negligência da tripulação terá sido determinante para o desfecho trágico. O empresário destacou ainda que os cerca de 16 minutos que a embarcação demorou a afundar seriam, teoricamente, suficientes para permitir a evacuação de todos os ocupantes.

A investigação prossegue, com as autoridades italianas a procurarem reconstruir minuto a minuto os acontecimentos que levaram ao naufrágio, num dos casos mais mediáticos do setor náutico nos últimos anos.

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