A fundição de alumínio Mozal, considerada a maior indústria de Moçambique, entrou no domingo em regime de manutenção e conservação, após não ter sido possível garantir um fornecimento de energia suficiente e a preços competitivos para manter a produção.

A informação foi confirmada pela empresa australiana South32, que detém 63,7% da fundição. Segundo avançou a agência Lusa, citando o diretor executivo da companhia, Graham Kerr, as negociações mantidas ao longo dos últimos seis anos com o Governo moçambicano, com a empresa sul-africana Eskom e com outras partes interessadas não permitiram assegurar condições energéticas viáveis para além de março de 2026.
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Com a suspensão das operações, a empresa estima gastar cerca de 60 milhões de dólares, valor que inclui custos associados à rescisão de contratos de trabalho. A manutenção das instalações deverá ainda implicar um encargo anual de cerca de cinco milhões de dólares.
Apesar do encerramento da produção, Graham Kerr destacou o impacto da Mozal ao longo de 25 anos de atividade. A unidade industrial tornou-se uma das maiores fundições de alumínio em África e empregava diretamente mais de mil trabalhadores, além de cerca de quatro mil empregos indiretos.
Encerramento da Mozal ameaça empresas e economia no Parque Industrial de Beluluane
A suspensão das atividades da Mozal está já a provocar efeitos em cadeia no Parque Industrial de Beluluane, situado a cerca de 20 quilómetros de Maputo. De acordo com a Mozparks, entidade responsável pela gestão da infraestrutura, pelo menos cinco empresas já encerraram operações e várias outras poderão seguir o mesmo caminho.
Segundo o diretor-geral da Mozparks, Onório Manuel, cerca de 25 empresas forneciam bens e serviços diretamente à fundição. Com a paralisação da produção, muitas estão a avaliar mecanismos semelhantes de suspensão ou encerramento das suas atividades.
Algumas dessas empresas mantiveram operações apenas até à fase final do processo de desligamento da fundição, assegurando condições de segurança durante a interrupção das atividades industriais. Com essa etapa concluída, é expectável que novos encerramentos ocorram nas próximas semanas.
O responsável alertou ainda para o impacto económico da saída da Mozal. A fundição representava uma parcela significativa da indústria transformadora moçambicana, setor que contribui com cerca de 10% do Produto Interno Bruto do país. Dentro desse universo, a Mozal era responsável por quase metade da produção.
Num país com um PIB estimado em cerca de 16 mil milhões de dólares, o fim da atividade da fundição poderá traduzir-se numa redução relevante da contribuição industrial e afetar o ritmo de crescimento económico.
Tarifa energética considerada insustentável
A South32 já tinha classificado como “totalmente insustentável” a proposta de tarifa de energia apresentada para manter a operação da Mozal. A única oferta formal de fornecimento, proveniente da elétrica sul-africana Eskom, situava-se perto dos 100 dólares por megawatt-hora.
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De acordo com Graham Kerr, esse valor está muito acima da média internacional praticada fora da China, onde menos de 1% das fundições pagam mais de 50 dólares por megawatt-hora.
Apesar da suspensão das operações, a empresa não descarta a possibilidade de reativar a fundição no futuro, caso surjam condições energéticas mais favoráveis que permitam tornar a produção novamente viável.

