O treinador do SL Benfica, José Mourinho, afirmou que poderá afastar Gianluca Prestianni da equipa caso fique comprovado que o avançado argentino dirigiu insultos racistas a Vinícius Júnior, jogador do Real Madrid.

As declarações foram prestadas na conferência de antevisão do encontro frente ao Gil Vicente FC, numa intervenção em que o técnico encarnado quebrou o silêncio sobre a polémica que tem marcado os últimos dias. Mourinho mostrou-se firme na defesa de princípios e valores, sublinhando que qualquer ato de discriminação é incompatível com a sua liderança e com a identidade do clube.
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“Repudio qualquer discriminação ou preconceito”, afirmou, acrescentando que os princípios consagrados na Declaração dos Direitos do Homem são também aqueles que orientam a sua atuação profissional. O treinador deixou claro que, caso a culpa do jogador seja provada, a relação profissional ficará comprometida: “Se o jogador for efetivamente culpado, comigo acabou.”
Presunção de inocência e críticas à decisão da UEFA
Apesar da posição dura, Mourinho fez questão de sublinhar a importância da presunção de inocência, frisando que não pode formular juízos definitivos antes da conclusão do processo. “Coloco sempre um ‘se’. Tenho de pôr muitos ‘ses’ à frente”, referiu, reforçando que aguarda pelo apuramento rigoroso dos factos.
O técnico comentou ainda a decisão da UEFA de afastar o jogador do jogo, indicando que o organismo aplicou um artigo regulamentar para impedir a sua utilização. Na sua perspetiva, a entidade optou por uma abordagem que não teve em conta a incerteza em torno dos acontecimentos.
Mourinho reconheceu que não é jurista, mas salientou que não ignora a gravidade do tema. Defendeu que, caso se confirme a violação dos valores que considera fundamentais, não voltará a olhar para o atleta da mesma forma, reforçando a dimensão ética da sua posição.
Polémica com pedido de camisola também analisada
Além do alegado caso de racismo, o treinador comentou a situação envolvendo Sidny Cabral, que no final do encontro pediu a camisola a Vinícius Júnior, tendo posteriormente recuado na decisão. Para Mourinho, a troca de camisolas é um gesto comum no futebol, especialmente quando envolve jogadores de referência mundial.
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Ainda assim, admitiu que, face ao contexto sensível da partida, o momento poderia ter sido evitado para prevenir interpretações negativas. O técnico enquadrou o episódio como uma situação normal do ponto de vista desportivo, mas reconheceu que a gestão da imagem pública também deve ser ponderada.
A polémica surge numa fase importante da temporada, com o Benfica focado nos objetivos competitivos. Enquanto o processo decorre, a posição do treinador deixa claro que o desfecho dependerá exclusivamente do apuramento rigoroso dos factos e da eventual responsabilidade do jogador.

