Montenegro minimiza crise no SNS

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou esta segunda-feira a existência de uma crise no Sistema Nacional de Saúde (SNS), considerando que o cenário de instabilidade frequentemente retratado resulta sobretudo de perceções e não da realidade dos indicadores. As declarações foram feitas durante a cerimónia de inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, no Porto.

 Luís Montenegro
Montenegro minimiza crise no SNS © Artur Machado

Primeiro-ministro destaca indicadores positivos do SNS

No seu discurso, Luís Montenegro afirmou que Portugal garante o acesso à saúde “como em poucos países do mundo”, sublinhando que esta realidade é validada por relatórios internacionais. O chefe do Governo defendeu que casos pontuais não devem ser generalizados nem utilizados para classificar o SNS como um sistema em crise permanente.

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Entre os dados apresentados, destacou que os tempos de espera se encontram nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos, rejeitando a ideia de um cenário caótico. Acrescentou ainda que os profissionais do SNS realizam diariamente cerca de 150 mil atos clínicos, um número que, segundo o primeiro-ministro, demonstra a capacidade de resposta do sistema.

Apesar do tom otimista, Montenegro reconheceu que há margem para melhorias, afirmando que os bons resultados não devem conduzir à complacência.

Desafios futuros: envelhecimento, migração e falta de profissionais

O primeiro-ministro alertou para os “desafios gigantes” que o SNS enfrentará nos próximos anos, associados ao envelhecimento da população, ao aumento da população migrante e à saída de profissionais qualificados para o estrangeiro. Segundo explicou, estes novos contextos exigem adaptações num sistema que não estava preparado para estas mudanças demográficas e sociais.

Montenegro garantiu que os migrantes têm, legitimamente, direito ao acesso aos cuidados de saúde, reconhecendo que o crescimento desta população representa uma pressão adicional sobre o SNS.

Apoio à ministra da Saúde e críticas à oposição às reformas

Durante a intervenção, Luís Montenegro elogiou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, destacando a sua competência e resiliência na gestão do setor. Sem mencionar nomes, deixou críticas a quem se opõe às reformas em curso, acusando esses setores de reclamarem mudanças e, simultaneamente, contestarem as soluções apresentadas.

O primeiro-ministro assegurou ainda que não existem fricções institucionais com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, referindo que recentes diplomas governamentais foram aprovados após esclarecimentos adicionais.

Nova sede da Direção Executiva do SNS inaugurada no Porto

A nova sede da Direção Executiva do SNS, localizada na zona do Viso, no Porto, foi inaugurada após a entidade ter funcionado provisoriamente, desde 2022, em instalações do Hospital de São João. O edifício pertencia anteriormente ao Ministério da Economia.

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No final da cerimónia, Luís Montenegro abandonou o local sem prestar declarações aos órgãos de comunicação social, encerrando uma intervenção que se prolongou por cerca de 30 minutos.

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