Moçambique ultrapassa 7.300 casos de cólera desde setembro e soma 82 mortes

Moçambique registou 63 novos casos de cólera nas últimas 24 horas, elevando para 7.326 o número total de infetados desde setembro, segundo dados oficiais divulgados pela Direção Nacional de Saúde Pública de Moçambique. A atual epidemia já provocou 82 mortes em diferentes regiões do país.

Moçambique registou 63 novos casos de cólera
Moçambique ultrapassa 7.300 casos de cólera desde setembro e soma 82 mortes © AFP

De acordo com o mais recente boletim epidemiológico, com dados recolhidos entre 3 de setembro e 9 de março, a província de Nampula é a mais afetada, com 3.207 casos registados e 38 óbitos.

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A segunda região mais atingida é Tete, que contabiliza 2.625 casos e 32 mortes. Segue-se Cabo Delgado, com 1.006 casos confirmados e oito vítimas mortais.

Outras províncias registam números mais reduzidos, como Zambézia, com 124 casos e uma morte, Manica, com 106 casos e dois óbitos, e Sofala, com 256 casos e uma morte. Foram ainda registados casos isolados na cidade de Maputo e na província de Gaza.

Autoridades confirmam epidemia e reforçam vigilância sanitária

Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim, foram confirmados 63 novos casos, mantendo-se a taxa de letalidade geral em 1,1%. Atualmente, 54 pessoas permanecem internadas, embora não tenham sido registados novos óbitos nas últimas 72 horas.

Apesar da estabilidade recente no número de mortes, as autoridades declararam um novo surto no distrito de Doa, na província de Tete, o que mantém o alerta elevado nas regiões afetadas.

A situação atual supera já o surto anterior registado no país entre outubro de 2024 e julho de 2025, período em que foram contabilizados 4.420 infetados e 64 mortes, sobretudo na província de Nampula.

Campanha de vacinação mobiliza milhões de pessoas

As autoridades sanitárias moçambicanas reconheceram oficialmente, em fevereiro, que o país enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença presente em 22 distritos.

Durante uma conferência de imprensa realizada em Maputo, o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, afirmou que a multiplicação de surtos simultâneos caracteriza claramente uma epidemia.

Para conter a propagação da doença, o Governo lançou uma campanha de vacinação que pretende abranger cerca de 3,5 milhões de pessoas, especialmente nas zonas mais afetadas.

Governo quer eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030

O Governo moçambicano aprovou também um plano nacional para eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030. A estratégia foi aprovada pelo Conselho de Ministros de Moçambique e prevê um investimento de 31 mil milhões de meticais, equivalente a cerca de 418,5 milhões de euros.

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Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, o objetivo é garantir que as comunidades tenham acesso a água potável segura, melhores condições de saneamento e serviços de saúde de qualidade.

As autoridades defendem que a eliminação da cólera dependerá de ações multissetoriais coordenadas, baseadas em evidências científicas e focadas na melhoria das infraestruturas sanitárias e no reforço da prevenção da doença em todo o território nacional.

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