O mercado de cigarros eletrónicos na Europa continua em crescimento, mas quase metade das vendas ocorre fora dos canais legais. De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Fraunhofer, cerca de 48% das vendas de produtos de vaping são realizadas de forma irregular, representando um volume estimado de 6,6 mil milhões de euros, que poderá atingir 11 mil milhões de euros até 2030.

O relatório, intitulado “O mercado irregular de cigarros eletrónicos na Europa”, indica que aproximadamente 3,1% da população europeia utiliza produtos de vaping, o que corresponde a cerca de 11,9 milhões de consumidores.
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A utilização destes dispositivos apresenta diferenças significativas entre países da União Europeia. Enquanto em Portugal a percentagem de utilizadores ronda os 0,5%, na Estónia atinge 8,8%, evidenciando disparidades no consumo entre os Estados-membros.
China domina fornecimento de líquidos para vaporizadores
O estudo revela ainda que cerca de 90% dos líquidos de nicotina utilizados em vaporizadores têm origem na China, consolidando o país como o principal fornecedor global deste tipo de produtos.
Segundo os investigadores, as diferenças nas regras de regulamentação e nos sistemas de tributação entre os países europeus têm contribuído para o crescimento do comércio irregular. Esta situação cria uma concorrência desigual para os retalhistas que operam dentro da legalidade e dificulta o trabalho das autoridades responsáveis pela fiscalização.
Além disso, a ausência de normas uniformes na União Europeia facilita a entrada no mercado de produtos cuja qualidade nem sempre é garantida, muitos dos quais chegam aos consumidores através de canais informais, como plataformas de comércio online.
Proibições nacionais podem incentivar mercado negro
O relatório sublinha que as proibições nacionais sobre produtos de vaping têm tido impacto limitado na redução do consumo. Em alguns casos, estas medidas podem mesmo levar os consumidores a recorrer ao mercado ilegal ou a regressar ao consumo de tabaco tradicional.
Especialistas envolvidos no estudo defendem que uma resposta eficaz exige uma abordagem coordenada entre os países da União Europeia. Entre as medidas sugeridas estão a criação de normas de produto harmonizadas, sistemas de tributação mais uniformes e cadeias de fornecimento transparentes.
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Especialistas defendem regulamentação europeia mais coordenada
Os investigadores recomendam ainda o desenvolvimento de sistemas digitais de rastreabilidade, que permitam acompanhar a entrada e a distribuição destes produtos no mercado europeu.
Segundo o estudo, uma regulamentação mais consistente e coordenada poderia reduzir o peso do mercado irregular, aumentar a segurança dos consumidores e garantir condições de concorrência mais equilibradas para os operadores legais no setor dos cigarros eletrónicos.

