O Governo de Moçambique vai apresentar, em março, o projeto de construção da ferrovia que ligará o norte ao sul do país, uma das maiores infraestruturas ferroviárias alguma vez projetadas no território nacional. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de seis mil milhões de euros, o projeto é considerado estratégico para o desenvolvimento económico, a mobilidade interna e a resiliência do sistema de transportes.

A informação foi avançada pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a cerimónia de reabertura da Estrada Nacional 1 (N1), cuja circulação esteve interrompida durante cerca de duas semanas devido às chuvas intensas e inundações que afetaram várias regiões do país.
PUBLICIDADE
Carro apreendido por falta de seguro? Cotação de seguro para veículos apreendidos pela polícia no Reino Unido por falta de seguro ou de documentação.
Segundo o governante, os estudos de avaliação da variante da linha férrea norte-sul foram concluídos ao longo do ano passado, estando o projeto pronto para apreciação final pelo Executivo. “Finalizámos a avaliação no ano passado. Assim que o Governo aprovar o conceito, iremos pronunciar-nos oficialmente, mas acreditamos que, no final da época chuvosa, em março, teremos condições para apresentar o projeto ao público”, afirmou.
Infraestrutura ferroviária estruturante para o futuro do país
A primeira fase da ferrovia norte-sul deverá ter uma extensão aproximada de 1.500 quilómetros e pretende estabelecer uma ligação contínua entre as principais regiões do país, reforçando a integração territorial e criando uma alternativa robusta ao transporte rodoviário.
De acordo com o Ministério dos Transportes e Logística, a nova linha férrea permitirá melhorar significativamente o escoamento de mercadorias, reduzir custos logísticos, aumentar a segurança do transporte e impulsionar o comércio interno e regional. A ferrovia é também vista como um elemento-chave para apoiar sectores estratégicos da economia, como a agricultura, a indústria extrativa e o comércio transfronteiriço.
João Matlombe destacou que o Governo se encontra agora numa fase de mobilização de recursos financeiros, nacionais e internacionais, para viabilizar a execução do projeto. “Estamos em condições de ir ao mercado para mobilizar financiamento, tendo em conta que todos os estudos preliminares já foram concluídos”, sublinhou.
Integração de infraestruturas para enfrentar eventos climáticos extremos
O ministro frisou ainda que a atual época chuvosa evidenciou a vulnerabilidade do país à dependência excessiva do transporte rodoviário, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada das infraestruturas nacionais. Segundo Matlombe, a combinação entre redes rodoviárias, ferroviárias e marítimas é essencial para garantir a continuidade da circulação de pessoas e bens em situações de emergência.
“A época chuvosa mostrou claramente a importância de termos infraestruturas complementares. Não podemos depender apenas das estradas. Precisamos de soluções ferroviárias e marítimas que assegurem alternativas viáveis quando ocorrem interrupções”, explicou.
Neste contexto, o responsável revelou que o setor dos transportes dispõe igualmente de estudos concluídos para a construção de uma estrada alternativa à Estrada Nacional 1 (N1), considerada vital para a circulação no país. O objetivo é assegurar maior resiliência da rede viária e permitir que Moçambique enfrente os períodos chuvosos com maior previsibilidade e menor impacto socioeconómico.
Reabertura da Estrada Nacional 1 e compromisso governamental
A apresentação do projeto ferroviário ocorre numa altura em que o Governo procura responder aos danos causados pelas chuvas e cheias, que provocaram cortes significativos na Estrada Nacional 1, principal eixo rodoviário de ligação entre o norte e o sul do país.
Esta sexta-feira, o Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou oficialmente o restabelecimento da circulação na N1, após a conclusão dos trabalhos de emergência. “Visitámos o troço 3 de Fevereiro–Incoluane para acompanhar os trabalhos e deixámos recomendações claras ao empreiteiro para reforçar os meios técnicos e as horas de trabalho. Hoje, temos a honra de anunciar que a ligação está restabelecida”, declarou.
O chefe de Estado reafirmou que as chuvas continuam a afetar milhares de famílias moçambicanas e garantiu que o Executivo irá intensificar os esforços de apoio às populações atingidas, bem como implementar medidas estruturais para mitigar os impactos de fenómenos climáticos extremos.
Investimento estratégico com impacto a longo prazo
O projeto da ferrovia norte-sul é encarado pelo Governo como um investimento estruturante de longo prazo, capaz de transformar o sistema de transportes do país, promover o desenvolvimento regional equilibrado e reforçar a competitividade económica de Moçambique no contexto da África Austral.
PUBLICIDADE
Conduz no Reino Unido? Compare preços de seguros de mais de 100 seguradoras em menos de 3 minutos no portal de comparação de seguros Icompare4u.
Além de melhorar a mobilidade interna, a nova linha férrea poderá posicionar o país como um corredor logístico relevante na região, facilitando ligações com países vizinhos e potenciando o papel dos portos moçambicanos no comércio internacional.
Com a apresentação prevista para março, o projeto entra numa fase decisiva, sendo aguardado com expectativa por operadores económicos, parceiros internacionais e comunidades locais, que veem na ferrovia norte-sul uma oportunidade para impulsionar o crescimento sustentável e reduzir assimetrias regionais.

