Condenado por matar bebé por nascer

Um jovem de 19 anos foi condenado a 16 anos de prisão no Reino Unido pelo homicídio do próprio filho ainda por nascer, após um ataque brutal e prolongado contra a companheira grávida, então com 17 anos. Stefan Marin foi considerado culpado do crime raro de destruição de feto, além de múltiplos crimes de violência doméstica, na sequência de uma agressão que durou cerca de cinco horas.

 Stefan Marin
Condenado por matar bebé por nascer © Humberside Police/PA

Os factos ocorreram em março do ano passado, no apartamento do arguido, na cidade de Hull. À data dos acontecimentos, a vítima encontrava-se grávida de 29 semanas. De acordo com o tribunal, Marin regressou a casa depois de consumir álcool com amigos e iniciou uma agressão extrema, durante a qual desferiu murros, pontapés, estrangulou e escaldou a jovem.

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Durante o ataque, o agressor terá afirmado de forma explícita a intenção de provocar a morte do bebé, dizendo: “Estou a certificar-me de que não tens esse bebé”.

Ataque prolongado terminou com morte do bebé no útero

A violência infligida à vítima provocou lesões graves na placenta, levando à morte do feto ainda no útero. O bebé foi posteriormente retirado através de um parto induzido, alguns dias após a agressão, confirmando-se que a causa da morte esteve diretamente relacionada com o ataque.

O tribunal ouviu que, após horas de agressões, Marin conduziu a vítima até ao topo de um beco e abandonou-a, gravemente ferida. A jovem sobreviveu, mas sofreu múltiplas lesões físicas e psicológicas permanentes.

Durante a audiência de sentença, a vítima, agora com 18 anos, prestou um depoimento emotivo, descrevendo o terror vivido durante a agressão. “Bati-me até ao ponto de não acreditar que ainda estou viva. Pensei que ia morrer naquela noite”, afirmou, acrescentando que implorou repetidamente pela vida do filho.

Sequelas físicas e trauma psicológico permanente

Na sua declaração de impacto, a jovem relatou que enfrenta dores constantes nas mãos, braços e cabeça, dificuldades de memória, perda auditiva num dos ouvidos devido a perfuração do tímpano e possíveis intervenções cirúrgicas ao maxilar. As cicatrizes físicas, afirmou, são um lembrete diário da violência sofrida.

“Posso recuperar das agressões físicas, mas nunca vou sarar do que fizeste ao meu filho, um bebé indefeso que não te tinha feito nada”, declarou em tribunal, dirigindo-se ao agressor.

A vítima explicou ainda que, antes da relação abusiva, era uma adolescente feliz e extrovertida, mas que a gravidez marcou uma mudança profunda na sua vida, assumindo responsabilidades e expectativas que foram brutalmente destruídas pelo crime.

Relação abusiva e controlo durante a gravidez

O tribunal apurou que a relação entre Stefan Marin e a vítima teve início em agosto de 2024 e que rapidamente se tornou marcada por comportamentos controladores, abusivos e manipuladores. Apesar de inicialmente satisfeito ao saber que o bebé seria um rapaz, o arguido passou a demonstrar crescente tensão e agressividade ao longo da gravidez.

A acusação sustentou que Marin manteve a jovem presa a uma relação violenta, criando um ambiente de medo e isolamento, culminando no ataque que levou à morte do bebé.

Em sua defesa, foi referido que o arguido teve uma infância difícil e que, no passado, foi identificado como vítima de exploração criminal. No entanto, o tribunal considerou que nada disso justificava a extrema violência exercida.

Crime raro e condenação exemplar

Stefan Marin foi considerado culpado de destruição de feto, ofensas graves à integridade física, estrangulamento, sequestro e tentativa de obstrução da justiça. O juiz determinou uma pena de 16 anos de prisão, acrescida de um período adicional de quatro anos de liberdade condicionada.

O magistrado classificou o caso como particularmente grave, sublinhando a crueldade do ataque, a intenção deliberada de matar o bebé e a ausência total de remorso por parte do arguido.

De acordo com o Ministério Público britânico, esta é apenas a quarta condenação por destruição de feto obtida nos últimos dez anos em Inglaterra e no País de Gales, evidenciando a raridade e a gravidade do crime.

Autoridades destacam coragem da vítima

Representantes da acusação e da polícia elogiaram a coragem da jovem ao longo do processo judicial, destacando a sua resiliência face a uma perda considerada “inimaginável”.

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A polícia classificou o nível de violência como “além da compreensão humana”, afirmando que o comportamento do agressor foi calculado e desprovido de qualquer empatia.

O caso reacende o debate público sobre violência doméstica, proteção de menores e mulheres grávidas, e a necessidade de mecanismos eficazes de prevenção e intervenção precoce em relações abusivas, de modo a evitar tragédias irreversíveis.

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