O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, está a enfrentar fortes críticas internacionais após a divulgação de vídeos que mostram ativistas pró-Palestina detidos em condições consideradas “desumanas” por organizações de direitos humanos.

As imagens foram divulgadas pelo próprio ministro e mostram dezenas de ativistas da flotilha humanitária com destino a Gaza algemados, ajoelhados no chão e vigiados por agentes armados após serem intercetados pelas autoridades israelitas.
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Num dos vídeos, os detidos aparecem alinhados em filas, com as mãos presas atrás das costas e a cabeça encostada ao chão numa área cercada por arame farpado, alegadamente no porto de Ashdod e a bordo de uma embarcação militar israelita.
As imagens geraram indignação internacional, sobretudo devido à forma como os ativistas foram tratados durante a operação.
Ativista irlandesa gritou “Palestina Livre” antes de ser imobilizada
Entre os detidos encontrava-se a ativista irlandesa Caitriona Graham, identificada por organizações ligadas à flotilha humanitária.
Num dos momentos captados em vídeo, a mulher grita “Palestina Livre” enquanto Ben-Gvir passa junto aos detidos. Poucos segundos depois, agentes de segurança empurram-na para o chão e imobilizam-na com a cabeça encostada ao pavimento.
Durante a gravação, o ministro israelita surge sorridente, segurando uma bandeira de Israel e dirigindo-se aos ativistas com declarações provocatórias.
“Bem-vindos a Israel, nós somos os donos da casa”, afirmou Ben-Gvir.
Noutro vídeo divulgado, o governante ironiza a situação dos ativistas e pede ao primeiro-ministro israelita autorização para os manter presos durante um longo período.
“Vieram cheios de orgulho, como grandes heróis. Vejam-nos agora”, declarou.
Governo irlandês condena tratamento dado aos detidos
As imagens provocaram reações imediatas por parte de representantes políticos e organizações internacionais.
Helen McEntee, ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, classificou o comportamento do ministro israelita como “absolutamente chocante e inaceitável”.
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A governante revelou ainda que a embaixada irlandesa já contactou formalmente as autoridades israelitas para exigir tratamento “adequado e humano” para os cidadãos irlandeses detidos.
Também a Amnesty International Ireland condenou as imagens divulgadas por Ben-Gvir. Stephen Bowen, diretor executivo da organização, afirmou que a atitude da ativista irlandesa demonstrou coragem perante aquilo que descreveu como “ultrajes israelitas”.
Netanyahu distancia-se da atuação de Ben-Gvir
Apesar de defender a interceção da flotilha, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, criticou publicamente a forma como os ativistas foram tratados.
Netanyahu afirmou que Israel tem o direito de impedir “flotilhas provocatórias de apoiantes do Hamas”, mas considerou que a atuação de Ben-Gvir “não está alinhada com os valores e normas de Israel”.
O chefe do Governo israelita confirmou ainda ter ordenado a deportação dos ativistas “o mais rapidamente possível”.
As críticas ao ministro surgiram também dentro do próprio executivo israelita. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, acusou Ben-Gvir de prejudicar a imagem internacional de Israel.
“Tu não és a face de Israel”, escreveu Gideon Sa’ar nas redes sociais.
Organizações acusam Israel de humilhação e abuso
A organização jurídica israelita Adalah acusou as autoridades de aplicarem uma política de “abuso e humilhação” contra os ativistas da flotilha humanitária.
Segundo a entidade, as imagens divulgadas reforçam preocupações sobre o tratamento dado a detidos e ativistas pró-Palestina em Israel.
Ben-Gvir, por sua vez, rejeitou as críticas e afirmou estar mais preocupado com a segurança dos cidadãos israelitas do que com a repercussão internacional das imagens.
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O ministro acusou ainda membros do próprio Governo de demonstrarem “fraqueza” perante os ativistas e insistiu que qualquer pedido de desculpas representaria uma “rendição”.
O caso continua a gerar forte polémica internacional, numa altura em que aumenta a pressão diplomática sobre Israel devido ao conflito em Gaza e à situação humanitária no território palestiniano.

