O Presidente da República de Angola, João Lourenço, decretou luto nacional para esta sexta-feira em memória de todas as vítimas dos conflitos políticos que marcaram o país entre 11 de novembro de 1975 e 4 de abril de 2002.

A decisão foi comunicada através de uma mensagem oficial dirigida à Nação, na qual o Chefe de Estado justificou a medida com a realização da cerimónia de entrega de centenas de restos mortais aos respetivos familiares, um momento considerado de forte simbolismo e elevado impacto emocional para a sociedade angolana.
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Segundo João Lourenço, o luto nacional pretende homenagear os cidadãos que perderam a vida durante décadas de confrontos políticos e reforçar o compromisso do país com a paz, a reconciliação nacional e a preservação da memória histórica.
“Decidi decretar luto nacional de um dia em todo o território nacional em memória de todas as vítimas dos conflitos”, afirmou o Presidente na mensagem emitida à população.
Cerimónia de entrega de restos mortais simboliza processo de reconciliação
A cerimónia prevista para esta sexta-feira irá culminar com a entrega de centenas de ossadas e restos mortais identificados às famílias das vítimas, permitindo a realização de funerais dignos após décadas de espera e incerteza.
O processo está a ser conduzido pela Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos, criada pelo Estado angolano com o objetivo de localizar, identificar e devolver os restos mortais de cidadãos mortos durante os períodos de violência política vividos no país.
Desde a criação da comissão, várias cerimónias públicas já foram realizadas em diferentes províncias angolanas, num esforço de reconhecimento das vítimas e de aproximação entre famílias afetadas pelos conflitos.
João Lourenço destacou que o trabalho desenvolvido pela comissão representa um importante passo no fortalecimento da reconciliação nacional e na construção de uma memória coletiva baseada na verdade e no respeito pelas vítimas.
Presidente recorda período traumático da história angolana
Na mensagem à Nação, o Chefe de Estado reconheceu que Angola viveu momentos extremamente dolorosos ao longo dos conflitos políticos e da guerra civil, episódios que deixaram marcas profundas em milhares de famílias angolanas.
Apesar disso, João Lourenço salientou os progressos alcançados desde o fim da guerra civil, em 2002, apontando os últimos 24 anos como um período de consolidação da paz e estabilidade nacional.
“O país viveu momentos dramáticos da sua história, que deixaram feridas profundas, mas o Estado tem sabido tratá-las no quadro da paz e da reconciliação nacional”, afirmou.
O Presidente considerou ainda que o percurso de reconciliação vivido por Angola deve ser motivo de orgulho para os cidadãos angolanos, sobretudo pela capacidade demonstrada pelo país em ultrapassar décadas de divisão e violência.
João Lourenço defende transparência e reconhecimento do passado
Ao abordar os conflitos do passado, João Lourenço defendeu que a reconciliação nacional só pode ser verdadeira quando existe transparência e reconhecimento das tragédias ocorridas.
Segundo o Presidente angolano, é essencial assumir os erros e as consequências negativas da história do país para impedir que acontecimentos semelhantes voltem a repetir-se no futuro.
“A paz e a reconciliação entre os angolanos só são genuínas se assentarem na transparência e no assumir por todos do passivo negativo da nossa história”, sublinhou.
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O Chefe de Estado afirmou ainda que falar sobre os horrores dos conflitos políticos não deve continuar a ser encarado como um tabu na sociedade angolana.
Para João Lourenço, recordar os acontecimentos não significa reabrir feridas ou apontar culpados, mas sim promover reflexão coletiva e responsabilidade histórica.
Presidente alerta para necessidade de evitar novos conflitos
Durante a mensagem oficial, João Lourenço alertou para a importância de impedir qualquer possibilidade de novos conflitos étnicos, religiosos ou políticos em Angola.
O líder angolano afirmou que todas as instituições e cidadãos devem trabalhar para preservar a paz e garantir que situações de violência nunca mais ameacem a integridade física e a vida dos angolanos.
Segundo o Presidente, o perdão, o diálogo e o espírito de união nacional são elementos fundamentais para fortalecer a estabilidade do país e promover o desenvolvimento económico e social.
“Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como uma nação reconciliada”, afirmou.
João Lourenço acrescentou que Angola deve continuar focada na construção de um futuro de prosperidade, justiça social e bem-estar para toda a população.
Famílias das vítimas recebem mensagem de solidariedade
Na reta final da comunicação à Nação, o Presidente angolano deixou uma mensagem de apoio às famílias atingidas pelos conflitos políticos, reconhecendo o sofrimento vivido ao longo de décadas.
“Neste momento de grande consternação e profunda reflexão, permitam-me transmitir uma palavra de encorajamento e conforto a todas as famílias atingidas por esta tragédia”, declarou.
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João Lourenço sublinhou ainda que o passado não pode ser apagado, mas deve servir como lição para evitar novos erros e consolidar uma sociedade baseada na paz, justiça e reconciliação.
O luto nacional será assinalado em todo o território angolano durante esta sexta-feira, num momento de homenagem coletiva às vítimas dos conflitos políticos e de reflexão sobre um dos períodos mais marcantes da história de Angola.

