O Ministério Público de Paris está a investigar possíveis casos de violência e agressão sexual envolvendo crianças em 114 estabelecimentos de ensino e acolhimento infantil da capital francesa. As investigações abrangem 84 jardins-de-infância, cerca de vinte escolas primárias e uma dezena de creches, num caso que as autoridades locais já classificam como um problema de carácter “sistémico”.

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A procuradora de Paris, Laure Beccuau, sublinhou a “urgência absoluta” das investigações, que se estendem à maioria dos bairros da cidade. Segundo a magistrada, já foram abertas três instruções judiciais e emitidas cinco notificações para comparência em tribunal criminal. Um animador sociocultural encontra-se em prisão preventiva.
Reportagem televisiva expôs alegados maus-tratos em jardim-de-infância
O caso ganhou grande dimensão mediática no início do ano, após uma investigação jornalística da cadeia televisiva France 2. Uma repórter infiltrou-se como funcionária nas actividades extracurriculares da escola Saint-Dominique, localizada no 7.º arrondissement de Paris, registando imagens com câmara oculta.
As gravações mostraram monitoras a gritarem com crianças durante o período da cantina e incluíram ainda imagens de uma funcionária a beijar uma criança na boca. Após a divulgação da reportagem, duas monitoras foram suspensas.
Na sequência do caso, 73 pais de alunos das escolas Saint-Dominique, Rapp e La Rochefoucauld apresentaram uma queixa formal junto do Ministério Público. Representados pelo advogado Florian Lastelle, os encarregados de educação denunciaram alegados factos graves relacionados com a supervisão de crianças durante períodos extracurriculares, incluindo refeições, recreios, sestas, lanches e acolhimento no final do dia.
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As suspeitas envolvem crimes como violência voluntária, colocação deliberada de terceiros em perigo, abandono de pessoa incapaz de se proteger, omissão de impedir crimes contra a integridade física e não denúncia de maus-tratos a menores.
Suspensões de funcionários aumentam pressão sobre autarquia de Paris
De acordo com a rádio RTL, ao longo de 2025 foram apresentadas várias denúncias em escolas parisienses, levando ao afastamento de pelo menos 40 animadores. Já desde o início de 2026, 78 funcionários foram suspensos, dos quais 31 por suspeitas de violência sexual.
O novo presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, considerou que os números revelam um problema estrutural no sistema de actividades extracurriculares da cidade. O autarca recordou que as investigações não se limitam a alegados casos de pedofilia, abrangendo também questões relacionadas com a qualidade da supervisão, do acolhimento e do acompanhamento prestado às crianças.
Segundo a imprensa francesa, o sector das actividades extracurriculares emprega cerca de 17 mil animadores em Paris, muitos deles com salários baixos e contratos precários.
Câmara de Paris anuncia plano de 20 milhões de euros
Perante a dimensão do escândalo, a autarquia parisiense anunciou, em Abril, um plano de acção avaliado em 20 milhões de euros para reformar o sector das actividades extracurriculares.
Entre as medidas previstas estão o reforço dos controlos de recrutamento, a criação de equipas especializadas para tratar denúncias e a implementação de inspecções externas nos estabelecimentos escolares. A Câmara de Paris promete ainda maior transparência junto das famílias e uma simplificação dos mecanismos de denúncia.
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Emmanuel Grégoire garantiu que o combate a estas situações constitui “a prioridade absoluta” do início do seu mandato, defendendo uma aceleração das investigações e uma revisão profunda dos procedimentos internos nas escolas da capital francesa.

