Milhares de pessoas participaram numa grande manifestação em Londres, exigindo o fim dos ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Irão. A marcha começou junto à Millbank Tower e dirigiu-se à embaixada norte-americana em Nine Elms, com muitos participantes a exibir bandeiras iranianas e palestinianas, bem como fotografias do antigo líder supremo do Irão, Ali Khamenei.

Segundo relatos da organização do protesto, cerca de 5.000 manifestantes participaram na ação, segurando cartazes com mensagens como “Stop Trump’s Wars”, “Stop the War on Iran”, “Stop Arming Israel” e “No War on Iran”. O protesto contou com a presença de diversos oradores, incluindo a deputada do Your Party, Zarah Sultana, que apelou aos participantes para que a sua voz não fosse ignorada e recordou experiências passadas de intervenção militar:
“Na altura, disseram-nos que o Iraque tinha armas de destruição em massa. Disseram-nos que a guerra traria paz e democracia. A verdade foi muito diferente”, afirmou Sultana, reforçando a necessidade de fiscalizar a política externa do Reino Unido.
O protesto teve também a leitura de uma declaração do antigo líder do Labour, Jeremy Corbyn, que criticou a política externa britânica:
“Há demasiado tempo o Reino Unido seguiu cegamente os EUA em intervenções catastróficas pelo mundo. Estamos aqui para defender algo diferente: uma política externa baseada na cooperação, igualdade e soberania.”
Prisões e confrontos com contra-manifestantes
A Polícia Metropolitana confirmou quatro detenções durante a manifestação. Entre os detidos estava uma mulher na casa dos 60 anos, suspeita de incitar ódio racial através de um cartaz. As outras detenções incluíram posse de arma ofensiva, ofensas públicas com agravante racial e suspeita de desordem violenta.
O protesto também encontrou resistência de contra-manifestantes, concentrados próximos da Millbank Tower. Houve confrontos verbais entre participantes pró-Israel e manifestantes anti-guerra, com gritos de “shame on you” e “murderers” dirigidos a quem segurava bandeiras israelitas. Alguns responderam com “you’re wrong” e “you’re in denial”, mostrando a tensão que marcou o evento.
Participação de cidadãos e apelo ao governo britânico
Entre os participantes esteve Daniela Costa, estudante brasileira de 30 anos, que defendeu a importância de mostrar ao governo britânico que a população não apoia o envolvimento militar do Reino Unido:
“Não podemos viver como se tudo estivesse na normalidade. Espero que este protesto mostre que o governo não tem apoio popular para participar numa guerra, fornecendo armas ou bases militares aos EUA.”
Martin Perry, de 58 anos, de Northampton, afirmou estar presente para protestar contra o que considera a violação do direito internacional pelos EUA e Israel:
“Estou aqui para sinalizar a Keir Starmer que o público não apoia a guerra contra o Irão e não quer que as nossas forças se envolvam numa guerra ilegal.”
O protesto evidencia a crescente mobilização da sociedade civil britânica contra intervenções militares externas e o debate contínuo sobre o papel do Reino Unido em conflitos internacionais, refletindo também preocupações com o respeito pelo direito internacional e os impactos humanitários da guerra.

