O megaprojeto Mozambique LNG, avaliado em 20 mil milhões de dólares, vai ser oficialmente relançado esta quinta-feira em Cabo Delgado pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, e pelo presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, quase cinco anos após a suspensão motivada por ataques terroristas na região.

Segundo comunicado da Presidência da República, a retomada representa um marco histórico para a economia nacional, reforçando a confiança de investidores internacionais no potencial energético, institucional e humano de Moçambique. A Presidência acrescentou que o projeto terá um impacto direto e significativo na criação de emprego, tanto na fase de construção como na operação, promovendo a capacitação da mão-de-obra local e dinamizando o mercado de trabalho nacional.
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Além disso, a iniciativa consolida Moçambique como um hub energético regional e reforça a sua relevância no mercado global de gás natural liquefeito (GNL), reforçando a posição geoestratégica do país e o seu papel na segurança energética mundial.
Auditoria, concessão e cronograma ajustado
O Governo de Moçambique estabeleceu um prazo de 30 dias, até meados de dezembro, para que a TotalEnergies apresentasse um cronograma detalhado para a retoma do projeto. Em novembro de 2024, o Conselho de Ministros determinou a realização de uma auditoria independente, contratada pelo Governo, para avaliar os custos incorridos durante o período de “força maior”, decretado em abril de 2021 e levantado formalmente em novembro de 2024. A auditoria será validada pelas autoridades, garantindo um processo transparente e imparcial.
O período de suspensão de quase quatro anos e meio não será contabilizado para o tempo da concessão, apesar de a TotalEnergies ter solicitado a extensão do prazo por mais de 10 anos, alegando prejuízos de 4,5 mil milhões de dólares. O Governo moçambicano reiterou que a suspensão foi uma decisão unilateral, mas assegurou que todas as entidades competentes estarão envolvidas no processo de autorizações, licenciamento e aprovações, garantindo uma retoma ordenada e eficiente do projeto.
A petrolífera confirmou que a primeira entrega de GNL, inicialmente prevista para julho de 2024, será agora realizada no primeiro semestre de 2029, marcando o início da produção comercial.
Moçambique como ator global no setor de GNL
Moçambique possui três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, entre as maiores do mundo, localizadas na costa de Cabo Delgado:
- TotalEnergies (Mozambique LNG): 13 mtpa, investimento de 20 mil milhões de dólares;
- ExxonMobil: 18 mtpa, investimento de 30 mil milhões de dólares, ainda aguardando decisão final de investimento;
- Eni (Coral Sul e Coral Norte): produção iniciada em 2022 com 7 mtpa, expansão prevista com a plataforma Coral Norte a partir de 2028, num investimento total de 7,2 mil milhões de dólares.
O relançamento destes projetos reforça a posição estratégica de Moçambique como fornecedor confiável de GNL, aumentando a influência regional e global do país no mercado de energia e consolidando-o como um polo de desenvolvimento econômico e tecnológico.
Impactos socioeconômicos e geoestratégicos
Além de gerar emprego, o projeto terá impactos diretos na educação e formação técnica, capacitando profissionais moçambicanos para trabalhar em setores estratégicos de engenharia, geologia, energia e construção. O governo sublinha ainda o potencial do turismo industrial e do desenvolvimento local, derivado das atividades de infraestrutura e logística associadas ao projeto.
Do ponto de vista geoestratégico, a produção de GNL em Cabo Delgado coloca Moçambique entre os principais exportadores de gás natural liquefeito do continente africano, com capacidade de atender à crescente procura global por energia limpa e contribuir para a transição energética mundial.
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Perspetivas futuras
O sucesso da retomada do Mozambique LNG poderá servir como catalisador para outros investimentos em infraestruturas e energia, atraindo capital estrangeiro e consolidando a confiança internacional no país. O projeto reafirma a ambição de Moçambique em assumir um papel de liderança no setor energético global e na segurança energética da região.

