Mark Zuckerberg, diretor executivo da Meta Platforms, empresa proprietária do Instagram, apresentou-se esta quarta-feira num tribunal da Califórnia para defender a sua liderança num caso judicial histórico que investiga se as redes sociais são viciantes para crianças.

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Trata-se da primeira aparição de Zuckerberg perante um júri após anos de críticas à Meta, que também detém o WhatsApp e o Facebook, plataforma que cofundou. O julgamento, que inclui a presença da Google e da sua plataforma YouTube como réus, é acompanhado de perto devido às implicações legais para milhares de processos semelhantes contra empresas de redes sociais.
Acusações e defesa sobre uso infantil das redes sociais
A autora da ação, identificada pelas iniciais K.G.M., afirma ter sido prejudicada pelo uso precoce do Instagram e do YouTube, iniciando a experiência ainda criança. Os advogados de K.G.M., ou Kaley, acusam as empresas de deliberadamente criarem mecanismos para viciar jovens utilizadores, apesar de estarem cientes dos riscos para a saúde mental.
Por seu turno, os advogados da Meta sustentam que os problemas da autora derivam de outras circunstâncias da sua vida e não do uso das plataformas. Durante o julgamento, Mark Lanier, representante de K.G.M., confrontou Zuckerberg com e-mails internos da empresa, nos quais o executivo estabelecia metas de aumento de tempo de utilização, incluindo um crescimento de 12% do tempo gasto na plataforma e a reversão da tendência de desinteresse entre adolescentes.
Zuckerberg admitiu que, num estágio inicial da empresa, tais metas eram definidas, mas assegurou que a prática já não se mantém. “Se algo tem valor, as pessoas tendem a usar mais”, afirmou, destacando a diferença entre valor percebido e dependência.
Impacto legal e medidas globais
O julgamento, que deverá prolongar-se por várias semanas, inclui também depoimentos de antigos funcionários da Meta que denunciaram práticas internas da empresa. TikTok e Snapchat, inicialmente incluídos no processo, chegaram a acordos antes do início do julgamento, cujos termos não foram divulgados.
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O caso integra um movimento mais amplo nos Estados Unidos, onde famílias, procuradores estaduais e distritos escolares apresentaram ações legais alegando que plataformas como Meta, TikTok, Snapchat e YouTube promovem um uso viciante que prejudica crianças. Alguns estados exigem alterações imediatas, como a remoção de contas de menores de 13 anos.
Internacionalmente, cresce a preocupação com a exposição de crianças às redes sociais. Na Austrália, desde o final do ano passado, é proibido criar contas antes dos 16 anos. Reino Unido, Dinamarca, França e Espanha estudam medidas semelhantes.

