Lula ameaça romper acordo UE–Mercosul se houver adiamento

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta quarta-feira que a União Europeia poderá não conseguir aprovar, a tempo, o acordo comercial com o Mercosul, colocando em causa a sua assinatura prevista para o próximo sábado, dia 20. Segundo o Estadão, em declarações de tom firme, Lula garantiu que, caso haja novo adiamento, o Brasil deixará de negociar o acordo enquanto durar o seu mandato.

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva
Lula ameaça romper acordo UE–Mercosul se houver adiamento © Wilton Junior/Estadão

As declarações foram feitas durante uma reunião ministerial realizada na Granja do Torto, em Brasília, e revelam um endurecimento da posição brasileira face às dificuldades políticas internas de alguns países europeus.

Impasse na União Europeia ameaça acordo Mercosul–UE

Segundo Lula, o calendário da reunião do Mercosul já tinha sido alterado a pedido da União Europeia, passando de 2 para 20 de Dezembro, precisamente para permitir a aprovação do acordo no dia 19. No entanto, o Presidente afirmou ter recebido informações de que essa aprovação poderá não acontecer.

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O chefe de Estado brasileiro apontou resistências políticas em países como a França e a Itália como principais entraves ao avanço do processo. De acordo com Lula, o Presidente francês Emmanuel Macron enfrenta oposição interna ligada ao sector agrícola, enquanto a posição italiana também tem dificultado o consenso necessário.

Após mais de 26 anos de negociações, Lula sublinhou que o acordo é, na sua visão, mais vantajoso para os europeus do que para os países sul-americanos, reforçando a frustração do Brasil perante a falta de decisão por parte da UE.

Brasil endurece posição e ameaça abandonar negociações

Lula foi claro ao afirmar que, se o acordo não for assinado agora, o Brasil não retomará as negociações durante o seu mandato. O Presidente acrescentou que o país fez todas as concessões possíveis no âmbito diplomático e que espera uma resposta definitiva dos parceiros europeus.

O líder brasileiro destacou ainda que o acordo teria um forte simbolismo internacional, ao demonstrar o compromisso com o multilateralismo num contexto global marcado por tendências unilaterais, nomeadamente por parte dos Estados Unidos.

Apesar da incerteza, Lula confirmou que irá deslocar-se a Foz do Iguaçu com a expectativa de um desfecho positivo. No entanto, deixou claro que uma eventual recusa europeia levará o Brasil a adoptar uma postura mais rígida nas relações futuras.

Agenda internacional e prioridades políticas

Durante a reunião, Lula também abordou a sua agenda internacional, anunciando uma viagem à Índia no início do próximo ano e revelando que a Coreia do Sul será o destino da sua última visita oficial em 2026. O Presidente afirmou ainda que não pretende participar na próxima cimeira do G7, justificando a decisão com o facto de se encontrar em plena campanha política.

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As declarações reforçam a importância estratégica atribuída pelo Brasil ao acordo Mercosul–UE e evidenciam a crescente tensão diplomática caso o entendimento não seja formalizado nos próximos dias.

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