A Polícia Metropolitana de Londres anunciou o destacamento de 100 agentes adicionais para reforçar a segurança das comunidades judaicas na capital britânica, na sequência de um aumento significativo de incidentes antissemitas registados nos últimos meses. A medida surge após várias detenções efetuadas durante o fim de semana por crimes agravados por motivações raciais e religiosas.

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Segundo a Met Police, os novos agentes terão como principal missão garantir uma presença policial “mais visível, coordenada e orientada por informações de inteligência”, procurando responder ao clima de tensão que se intensificou desde finais de março.
Série de incidentes antissemitas leva a novas detenções
Entre os casos mais recentes divulgados pelas autoridades está a detenção de um homem de 35 anos, suspeito de danos criminais agravados, após terem sido lançadas pedras contra uma ambulância de uma comunidade judaica em Edgware, enquanto transportava um doente.
Na sexta-feira, outro homem, de 57 anos, foi detido por alegadamente ameaçar um cidadão judeu utilizando linguagem racialmente ofensiva. Já no sábado, foram efetuadas novas detenções em Brent e Croydon relacionadas com assédio agravado por motivação racial, danos criminais e infrações à ordem pública.
Todos os suspeitos foram libertados sob caução enquanto prosseguem as investigações.
Desde o final de março, Londres tem registado vários ataques incendiários contra locais associados à comunidade judaica, além de um esfaqueamento em Golders Green, no norte da cidade, tratado pelas autoridades como um ato de terrorismo.
Nesse caso, Essa Suleiman, cidadão britânico de 45 anos nascido na Somália, foi acusado de duas tentativas de homicídio relacionadas com o ataque em Golders Green e de uma terceira tentativa de homicídio referente a um incidente distinto ocorrido no mesmo dia.
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Governo britânico prepara legislação mais severa contra ataques antissemitas
O reforço policial coincide com os planos do Governo britânico para introduzir nova legislação destinada a endurecer o combate ao antissemitismo. De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, pessoas condenadas por ataques antissemitas alegadamente coordenados a partir de Teerão poderão enfrentar penas até 14 anos de prisão.
As medidas deverão integrar o próximo Discurso do Rei e incluem poderes adicionais para o Ministério do Interior classificar grupos de procuração como serviços de inteligência estrangeiros, mesmo nos casos em que os envolvidos desconheçam estar a atuar em nome de entidades iranianas.
Met Police quer modelo permanente de proteção comunitária
O comissário da Polícia Metropolitana, Sir Mark Rowley, afirmou que a criação da nova equipa representa “um passo importante” para fortalecer a resposta das autoridades às ameaças persistentes enfrentadas pelas comunidades judaicas.
Segundo o responsável, o objetivo passa por desenvolver um modelo de segurança duradouro e não apenas respostas temporárias em períodos de crise.
“Estamos a trabalhar com o Governo e com o presidente da câmara para garantir que esta abordagem possa ser mantida a longo prazo, não apenas para as comunidades judaicas, mas também como modelo de apoio a outras comunidades de Londres em situações de risco elevado”, declarou.
Na última semana, o Governo britânico anunciou um financiamento extraordinário de 25 milhões de libras para apoiar operações de policiamento preventivo, dos quais 18 milhões serão destinados especificamente à Polícia Metropolitana.
Crimes de ódio terão processos acelerados em Inglaterra e País de Gales
Entretanto, o Ministério Público de Inglaterra e País de Gales ordenou a aceleração dos processos relacionados com crimes de ódio, perante o que descreveu como um “aumento profundamente preocupante” de incidentes antissemitas.
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O diretor das acusações públicas, Stephen Parkinson, explicou que a decisão visa garantir maior rapidez nas decisões judiciais, permitindo que os processos avancem assim que exista prova suficiente para acusação formal.
Nas últimas quatro semanas, a polícia londrina deteve cerca de 50 pessoas por crimes de ódio antissemitas, tendo oito suspeitos sido formalmente acusados. Paralelamente, outras 28 detenções foram efetuadas no âmbito de investigações ligadas a ataques incendiários e crimes graves conduzidas em conjunto com a unidade antiterrorismo.

