Linchamentos em Moçambique já mataram 49 pessoas

O número de vítimas mortais associadas a linchamentos motivados por alegados casos de desaparecimento de órgãos genitais subiu para 49 em Moçambique, segundo dados divulgados pelas autoridades e profissionais de saúde. A onda de violência, alimentada por rumores e desinformação, tem provocado pânico em várias províncias do país e levado ao reforço das medidas de segurança.

sirene do carro da polícia
Linchamentos em Moçambique já mataram 49 pessoas © Max Fleischmann na Unsplash

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De acordo com o comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província da Zambézia, Marinho Muchanga, foram registados 29 casos relacionados com estes episódios, com maior incidência nos distritos de Namacurra e Mucubela.

“Em Mucubela, infelizmente, nós perdemos três cidadãos dos quais dois docentes”, afirmou o responsável, acrescentando que as autoridades destacaram forças de segurança para o posto administrativo de Bajone, onde ocorreram os homicídios.

Autoridades alertam para impacto da desinformação e do pânico coletivo

As agressões já causaram dezenas de feridos e mais de uma centena de detenções. Segundo os dados oficiais, 132 pessoas encontram-se detidas por envolvimento em atos de violência e linchamentos de cidadãos acusados de provocar o alegado desaparecimento de órgãos genitais.

Na província de Sofala, o médico psiquiatra do Hospital da Beira, Vasco Cumbe, confirmou novos episódios de violência nas últimas semanas, incluindo quatro mortes por linchamento e vários casos de agressão.

O especialista explicou que não existe qualquer fundamento científico para os rumores que circulam entre a população.

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“Não há nenhum desaparecimento de órgão genital. É impossível do ponto de vista científico”, esclareceu, defendendo que o medo, o stress e a desinformação estão na origem da perceção errada que tem alimentado o pânico coletivo.

Também na província de Manica foram registadas novas vítimas mortais. A médica-chefe do Centro de Saúde de Gôndola, Vânia Monteiro, revelou que a unidade recebeu recentemente três corpos de vítimas de linchamento relacionados com o mito do atrofiamento genital.

Governo moçambicano reforça apelos contra os linchamentos

O ministro do Interior de Moçambique, Paulo Chachine, manifestou preocupação com a escalada da violência e apelou à união da sociedade para travar a propagação dos boatos.

“São muitas vidas inocentes perdidas por causa de algo que não existe”, afirmou o governante, alertando para os riscos que estes episódios representam para a estabilidade social e para a convivência pacífica no país.

Segundo o executivo, os rumores tiveram origem a 18 de abril, na província de Cabo Delgado, espalhando-se posteriormente para outras regiões através das redes sociais e de informações falsas disseminadas entre comunidades locais.

As províncias de Cabo Delgado, Nampula, Niassa e Zambézia estão entre as mais afetadas pelos casos registados até ao momento.

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Perante o agravamento da situação, as autoridades reforçaram a presença policial e intensificaram campanhas de sensibilização junto das populações, numa tentativa de conter os episódios de violência.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos já tinha alertado anteriormente para a necessidade de uma intervenção urgente, defendendo medidas eficazes para impedir novos linchamentos e proteger cidadãos inocentes.

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