Inundações atingem mais de 3.000 pessoas em Gaza

Mais de 3.000 pessoas estão com as casas inundadas no distrito de Guijá, na província de Gaza, no sul de Moçambique, na sequência de chuvas intensas que se fazem sentir há mais de uma semana. A informação foi avançada pela World Vision Moçambique, organização não-governamental que acompanha a evolução da situação no terreno e presta apoio às comunidades afetadas.

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Inundações atingem mais de 3.000 pessoas em Gaza © AFP

Chuvas intensas agravam situação no distrito de Guijá

De acordo com dados preliminares divulgados pela World Vision, o número de pessoas afetadas tende a aumentar, uma vez que as precipitações deverão manter-se nos próximos dias. A organização alerta ainda para o risco de transbordo das barragens existentes na província de Gaza, cenário que poderá forçar mais famílias a abandonarem as suas habitações e a procurarem abrigo em centros de acomodação temporários.

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A localidade de Chinhacanine, no distrito de Guijá, é apontada como a zona mais afetada, registando cerca de 2.000 pessoas desalojadas. Segundo a ONG, quase metade dos afetados são crianças, o que agrava o impacto social da situação e aumenta a necessidade de respostas específicas nas áreas da saúde, proteção infantil e acesso a água potável.

Com a chegada contínua de famílias aos centros de acolhimento, a capacidade de resposta dos diferentes intervenientes no terreno encontra-se sob forte pressão, dificultando a prestação de assistência adequada a todos os desalojados.

Resposta humanitária e apoio às famílias desalojadas

A World Vision Moçambique anunciou que pretende reforçar o apoio humanitário nos próximos dias, através da distribuição de bens de primeira necessidade, incluindo jerricãs, baldes, cobertores e purificadores de água. Estão igualmente previstas ações de proteção à criança, com o objetivo de reduzir os riscos associados ao deslocamento forçado e às condições precárias nos centros de acomodação.

Paralelamente, a organização continua a mobilizar recursos adicionais, em articulação com parceiros locais e autoridades, para responder ao aumento do número de afetados e mitigar os impactos das cheias nas comunidades mais vulneráveis.

Balanço nacional aponta para mais de 100 mortos

Segundo dados divulgados pelo Governo moçambicano, até à última sexta-feira foram registados 103 mortos desde o início da atual época chuvosa, que começou em outubro. No total, cerca de 173 mil pessoas foram afetadas em todo o país, tendo-se verificado a destruição total de 1.160 casas e a inundação parcial de mais de 4.000 habitações.

Face à gravidade da situação, o Executivo decretou alerta vermelho nacional. O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, explicou que, no período compreendido entre 22 de dezembro e 15 de janeiro de 2026, foram registados oito novos óbitos, elevando para 103 o número total de vítimas mortais da presente época chuvosa.

Autoridades mantêm alerta até abril

A época das chuvas em Moçambique decorre entre outubro e abril e tem sido marcada por sucessivos alertas, sobretudo nas regiões centro e sul do país. As autoridades mantêm ativas medidas de antecipação e resposta a cheias e inundações, apelando à população para que siga as recomendações de segurança e procure abrigo em zonas seguras sempre que necessário.

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O cenário atual reforça a necessidade de coordenação entre Governo, organizações humanitárias e comunidades locais, numa altura em que milhares de famílias continuam a enfrentar perdas materiais significativas e riscos acrescidos para a saúde e a segurança.

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