Insurgência em Moçambique já fez 6.527 mortos desde 2017, diz ACLED

A província moçambicana de Cabo Delgado registou 11 novos eventos violentos nas últimas duas semanas, dos quais 10 foram atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, segundo dados divulgados pela organização ACLED. Estes incidentes provocaram nove mortos e elevaram para 6.527 o número total de vítimas mortais desde o início da insurgência armada, em outubro de 2017.

Cabo Delgado
Insurgência em Moçambique já fez 6.527 mortos desde 2017, diz ACLED © AFP

De acordo com o relatório mais recente da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, entre os 2.356 episódios violentos contabilizados desde o início do conflito, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico em Moçambique.

PUBLICIDADE

Has your vehicle been impounded for no insurance? Get impounded car insurance fast.

A região de Cabo Delgado, no norte do país, continua a enfrentar instabilidade persistente, apesar das operações militares realizadas nos últimos anos para travar a atividade insurgente.

Ataques em Macomia causaram mortos e raptos

Entre os dias 10 e 14 de abril, combatentes do grupo extremista atacaram quatro aldeias situadas a oeste da vila de Macomia, provocando pelo menos seis mortos entre a população civil e o rapto de duas pessoas.

O primeiro ataque ocorreu na aldeia de Nkoe, localizada a mais de 22 quilómetros a noroeste de Macomia. Posteriormente, os insurgentes deslocaram-se para sul, atingindo também Nguida, Chicomo e Iba, esta última já no distrito vizinho de Meluco.

Segundo fontes citadas pela ACLED, o grupo atacante seria composto por cerca de 100 homens fortemente armados, que depois seguiram em direção às zonas mineiras de Minhanha e Ravia.

Estrada N380 assume papel estratégico no conflito

O relatório destaca ainda que a estrada N380 está a tornar-se uma importante linha de divisão territorial entre áreas sob diferentes influências no conflito.

🚨 Quer receber notícias em tempo real? Siga o nosso canal do WhatsApp!

A oeste da via, onde a Força Local ligada à Frelimo mantém presença relevante, os insurgentes têm adotado métodos mais violentos. Já nas zonas a leste, onde exercem maior controlo, a atuação tem sido descrita como menos agressiva.

Esta evolução evidencia uma reorganização estratégica dos grupos armados no terreno, adaptando ações consoante a resistência local e os objetivos operacionais.

Nangade volta a registar atividade insurgente

A ACLED refere igualmente que o distrito de Nangade voltou a registar movimentações insurgentes pela primeira vez desde dezembro.

No dia 14 de abril, forças de segurança moçambicanas detiveram 10 cidadãos tanzanianos suspeitos de ligação aos grupos armados, perto de Mandimba, no norte da região.

No dia seguinte, militantes atacaram Machava, uma localidade agrícola situada menos de 20 quilómetros a sul, sem causar vítimas mortais. Já a 20 de abril, entraram em Nkonga, no centro de Nangade, alegadamente à procura de alimentos.

Fontes locais indicam que estes grupos seriam compostos por novos recrutas vindos da Tanzânia, com o objetivo de garantir abastecimento antes de seguirem para sul, em direção a Macomia.

Governo admite diálogo para alcançar paz

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou em dezembro passado que não exclui a possibilidade de diálogo como via para resolver o terrorismo no norte do país.

PUBLICIDADE

Looking for car insurance in the UK? Compare car insurance with I Compare 4U.

Segundo o chefe de Estado, o principal objetivo é alcançar a paz para o povo moçambicano, recordando que o país já ultrapassou conflitos internos anteriores através de negociações políticas.

A insurgência em Cabo Delgado começou oficialmente a 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, e mantém-se como um dos maiores desafios de segurança e desenvolvimento para Moçambique.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top