Os hospitais privados em Portugal atingiram um novo máximo no número de partos realizados, num contexto marcado por dificuldades no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente o encerramento recorrente de urgências de obstetrícia. Em 2025, foram registados 16.317 nascimentos em unidades privadas, um aumento superior a 8% face ao ano anterior.

Os dados resultam de um inquérito divulgado pela Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, que representa os principais operadores do setor. De acordo com o relatório, a obstetrícia destacou-se como a área com maior crescimento, evidenciando uma mudança progressiva na procura de cuidados de saúde por parte da população.
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No total, os hospitais privados realizaram mais de dez milhões de consultas, cerca de 1,46 milhões de episódios de urgência e aproximadamente 284 mil cirurgias, números que demonstram o reforço do papel do setor privado na resposta às necessidades de saúde em Portugal.
Grande Lisboa lidera número de partos em unidades privadas
Segundo o presidente da APHP, Óscar Gaspar, a subida no número de partos está fortemente associada à concentração de unidades hospitalares privadas na região da Grande Lisboa, onde se verifica uma maior oferta de serviços especializados.
As maternidades dos principais grupos privados — CUF, Luz Saúde e Lusíadas Saúde — registaram, cada uma, mais de quatro mil partos em 2024, posicionando-se como as maiores unidades de obstetrícia do país.
O responsável sublinha que esta tendência não é recente, apontando para um crescimento sustentado da procura por serviços de maternidade no setor privado, com aumentos anuais entre 8% e 9% ao longo dos últimos seis anos.
Atividade assistencial cresce em várias áreas
Para além da obstetrícia, o relatório evidencia um aumento global da atividade assistencial nos hospitais privados. As consultas de especialidade registaram uma subida de cerca de 2%, acompanhando o crescimento verificado nas cirurgias realizadas no mesmo período.
Este aumento reflete não só a maior procura por cuidados diferenciados, mas também a capacidade de resposta e expansão das unidades privadas, que têm vindo a reforçar a sua oferta em diversas áreas clínicas.
Ao mesmo tempo, o setor privado continua a desempenhar um papel complementar ao SNS, absorvendo parte da procura que não encontra resposta imediata no sistema público.
Redução nas urgências acompanha tendência nacional
Em contraste com o crescimento verificado noutras áreas, os episódios de urgência nos hospitais privados registaram uma diminuição de 5,5%. Esta descida está em linha com a tendência observada em todo o sistema de saúde português.
De acordo com Óscar Gaspar, a redução poderá estar relacionada com fatores sazonais, como um inverno menos rigoroso e uma menor incidência de infeções respiratórias, que habitualmente pressionam os serviços de urgência.
Setor privado reforça papel no sistema de saúde
Os dados agora divulgados confirmam o reforço do papel dos hospitais privados no sistema de saúde em Portugal, particularmente em áreas sensíveis como a obstetrícia. A crescente procura por estes serviços reflete não apenas a confiança dos utentes, mas também os desafios enfrentados pelo SNS.
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Especialistas apontam que esta tendência poderá continuar nos próximos anos, sobretudo se persistirem constrangimentos no acesso a cuidados no setor público. A articulação entre os dois sistemas será, por isso, determinante para garantir uma resposta eficaz e equitativa às necessidades da população.

