Homem morre após ser imobilizado por seguranças junto a centro comercial em Dublin

A morte de Yves Sakila, cidadão congolês de 35 anos, está a gerar forte indignação e debate público na Irlanda depois de o homem ter morrido após ser imobilizado por seguranças privados junto a um centro comercial em Dublin.

A morte de Yves Sakila
Homem morre após ser imobilizado por seguranças junto a centro comercial em Dublin © Social media

O incidente aconteceu na passada sexta-feira, junto à entrada dos armazéns Arnotts, numa das zonas comerciais mais movimentadas da capital irlandesa. Segundo as autoridades, Yves Sakila foi detido por suspeitas de furto de frascos de perfume do estabelecimento.

PUBLICIDADE

Has your vehicle been impounded for no insurance? Get impounded car insurance fast.

Pouco depois da intervenção dos seguranças, o homem ficou inconsciente e acabou por morrer no hospital.

O caso rapidamente ganhou grande repercussão nas redes sociais e entre organizações comunitárias, sobretudo após a divulgação de um vídeo que mostra os momentos da imobilização.

Vídeo da imobilização gera comparações com o caso George Floyd

As imagens partilhadas online mostram Yves Sakila a ser mantido no chão por vários elementos de segurança durante vários minutos.

Num dos momentos captados no vídeo, um dos seguranças surge com o joelho colocado sobre a parte posterior da cabeça do homem, pressionando o rosto contra o pavimento enquanto este gritava.

Testemunhas presentes no local, incluindo famílias e pessoas que circulavam na área comercial, assistiram à situação enquanto os seguranças repetiam ordens para que o homem permanecesse imóvel.

Segundo relatos divulgados pela imprensa local, após vários minutos de contenção, Yves Sakila aparentou deixar de reagir. Os seguranças acabaram por libertá-lo pouco depois de perceberem que o homem não estava consciente.

As imagens provocaram comparações imediatas com a morte de George Floyd, caso que desencadeou protestos internacionais contra violência policial e racismo em 2020.

Polícia e organismo independente investigam incidente

A polícia irlandesa confirmou que o homem foi inicialmente detido no âmbito de uma alegada situação de furto ocorrida pouco depois das 17h00 locais.

Segundo as autoridades, agentes chegaram ao local e chegaram a algemar temporariamente Yves Sakila enquanto prestavam assistência a um idoso alegadamente envolvido no incidente.

Pouco depois, o homem tornou-se inanimado e foi transportado para o hospital, onde acabou por morrer.

🚨 Quer receber notícias em tempo real? Siga o nosso canal do WhatsApp!

O caso foi encaminhado para o organismo independente de supervisão policial da Irlanda, conhecido como Fiosrú, que abriu uma investigação para apurar as circunstâncias exatas da morte.

As autoridades confirmaram que as investigações continuam em curso.

Comunidade congolesa e organizações antirracismo exigem respostas

A morte de Yves Sakila gerou comoção entre membros da comunidade congolesa na Irlanda e organizações de defesa dos direitos humanos.

Na terça-feira, dezenas de pessoas reuniram-se numa vigília em Dublin para homenagear a vítima. Flores e rosas vermelhas foram colocadas no local onde aconteceu o incidente, enquanto os participantes gritavam palavras de ordem como “Justiça para Yves” e “Sem mais violência”.

Alguns manifestantes exibiam ainda cartazes com mensagens como “As vidas negras também importam aqui”.

Walter Kabangu, representante da Câmara de Comércio Congolesa da Irlanda, afirmou estar “chocado e profundamente triste” com o sucedido.

“Como comunidade, exigimos justiça”, declarou.

Também a Irish Network Against Racism manifestou preocupação com o caso, considerando as imagens “extremamente perturbadoras” e defendendo uma investigação completa e transparente.

Primeiro-ministro irlandês pede investigação rigorosa

O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, reagiu publicamente ao caso e apresentou condolências à família de Yves Sakila.

O chefe do Governo irlandês afirmou que o incidente deve ser investigado “de forma rigorosa” e reconheceu a preocupação gerada pelas imagens divulgadas.

“Não quero prejudicar o resultado da investigação, mas é evidente que as pessoas estão profundamente preocupadas com o que aconteceu”, afirmou Micheál Martin.

Armazéns Arnotts lamentam morte e anunciam revisão interna

Os armazéns Arnotts emitiram entretanto um comunicado no qual lamentam profundamente a morte de Yves Sakila.

A empresa confirmou estar a colaborar com as autoridades e revelou que iniciou uma revisão interna juntamente com a empresa de segurança privada contratada para o espaço comercial.

PUBLICIDADE

Looking for car insurance in the UK? Compare car insurance with I Compare 4U.

“Nenhuma perda de vida deve resultar de um incidente de segurança num estabelecimento comercial”, afirmou a empresa.

Enquanto a investigação decorre, o caso continua a alimentar o debate público na Irlanda sobre uso da força, segurança privada, discriminação racial e responsabilidade das autoridades perante incidentes envolvendo cidadãos de minorias étnicas.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top