Tony Devenport, de 57 anos, foi condenado à prisão perpétua, com pena mínima de 22 anos, pelo homicídio da sua parceira, Stephanie Blundell, de 41 anos, ocorrido em julho de 2025 na residência que partilhavam em Canal Street, Chester.

Stephanie estava acamada e impossibilitada de se movimentar devido a problemas de saúde, incluindo pancreatite aguda e cetoacidose alcoólica, quando sofreu mais de 100 ferimentos infligidos pelo agressor ao longo de vários dias antes de morrer.
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O corpo da vítima foi descoberto pelo pai, Philip Blundell, que descreveu a cena como “algo que ficará com ele para o resto da vida” e confessou ser atormentado pelo facto de Stephanie ter morrido sozinha e em dor.
O tribunal ouviu relatos de que Devenport era controlador e coercivo, mantendo a vítima sem acesso a uma chave da casa e guardando o cartão bancário dela na sua carteira. Apesar de viverem juntos há dois anos, Stephanie não tinha liberdade para sair do apartamento.
Entre 10 e 20 de julho, a mulher não teve meios de contactar alguém, enquanto Devenport comprava grandes quantidades de álcool — mais de 12 litros de vodka e 72 latas de cerveja — e não prestava quaisquer cuidados adequados à parceira, demonstrando negligência grave e deliberada.
Abusos, negligência e sofrimento prolongado
Nos dias que antecederam a morte de Stephanie, Devenport estrangulou-a em pelo menos duas ocasiões e desferiu golpes que lhe provocaram lesões cerebrais graves. A juíza Mrs Justice Steyn explicou que a vítima teria suplicado por ajuda, mas o agressor apenas lhe forneceu álcool e gelados. O exame post-mortem confirmou que a morte resultou de múltiplas lesões, exacerbadas pelos efeitos do consumo crónico de álcool.
O comportamento de Devenport, marcado por controlo absoluto e violência prolongada, evidenciou a extrema crueldade e premeditação do crime. Durante o julgamento, foi destacado que Stephanie era uma pessoa com enorme capacidade de amar, bondosa e com uma personalidade luminosa, sempre pronta a ver o melhor nas pessoas, incluindo no próprio agressor.
Impacto do crime e alerta para violência doméstica
A família da vítima, em comunicado após a sentença, descreveu Stephanie como “uma das almas mais radiantes que alguém poderia conhecer”, destacando a sua bondade, inteligência e calor humano, e expressou algum conforto por saber que a verdadeira natureza da filha foi reconhecida no processo judicial.
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O caso sublinha a gravidade da violência doméstica e dos comportamentos coercivos, evidenciando que vítimas vulneráveis, mesmo acamadas ou impossibilitadas de se defender, podem sofrer abusos prolongados que culminam em consequências fatais.
Stephanie Blundell tornou-se um símbolo da necessidade de reforço de medidas de proteção a pessoas em situação de dependência e vulnerabilidade dentro do contexto familiar, alertando para a importância da vigilância e intervenção precoce em casos de abuso doméstico.
Devenport foi declarado culpado de homicídio pelo júri e permanece registado como condenado, com pena de prisão perpétua e mínimo de 22 anos, refletindo a gravidade do crime e a proteção da sociedade face a atos de violência extrema.

