Homem condenado por rapto do filho foge após libertação acidental de prisão em Londres

Um homem condenado pelo rapto do próprio filho está a ser procurado pelas autoridades britânicas depois de ter sido libertado por engano da prisão de Pentonville, no norte de Londres, devido a um erro administrativo relacionado com documentação judicial. O caso voltou a gerar forte polémica no Reino Unido e levantou novas críticas ao estado do sistema prisional britânico.

Um homem condenado pelo rapto do próprio filho
Homem condenado por rapto do filho foge após libertação acidental de prisão em Londres © High Court/PA Wire

Ifedayo Adeyeye, de 57 anos, cidadão com dupla nacionalidade britânica e nigeriana, encontrava-se a cumprir pena por ter sequestrado o filho, Laurys N’Djosse Adeyeye, de cinco anos, antes de o levar ilegalmente para a Nigéria. Apesar de ter sido condenado a mais 12 meses de prisão no passado dia 21 de abril, acabou libertado no dia seguinte por falhas processuais dentro do estabelecimento prisional.

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As autoridades apenas descobriram o erro dois dias depois, a 23 de abril, desencadeando uma operação urgente para localizar o fugitivo.

Libertação indevida expõe fragilidades do sistema prisional britânico

A libertação acidental de Adeyeye voltou a colocar sob escrutínio a gestão das prisões no Reino Unido, num momento em que o Governo enfrenta críticas relacionadas com falhas administrativas, sobrelotação e sistemas desatualizados.

Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, os serviços prisionais comunicaram o incidente às autoridades por volta das 13h do dia 24 de abril. Desde então, equipas policiais estão a realizar “diligências urgentes” para localizar o condenado e devolvê-lo à prisão.

O Ministério da Justiça britânico reconheceu publicamente a gravidade da situação e admitiu o impacto emocional causado à família da criança. Num comunicado oficial, o organismo afirmou compreender “a angústia que libertações por erro podem causar às vítimas e respetivas famílias” e garantiu estar a colaborar com a polícia para recapturar o fugitivo.

O Governo britânico atribuiu parte destes problemas a anos de subinvestimento no sistema prisional e judicial. Segundo o Ministério, a dependência excessiva de processos em papel e métodos administrativos antiquados tem contribuído para o aumento de erros graves.

Como resposta, foram anunciados investimentos de até 82 milhões de libras destinados à modernização tecnológica das prisões e tribunais britânicos. Entre as medidas previstas estão a digitalização de documentos, a implementação de sistemas biométricos e o reforço dos mecanismos de verificação processual.

Rapto internacional da criança envolveu Reino Unido, França e Nigéria

O caso de Laurys N’Djosse Adeyeye tornou-se particularmente complexo devido ao envolvimento de diferentes jurisdições internacionais. O menino foi retirado à mãe, Claire N’Djosse, em França, no dia 27 de julho de 2024, durante a primeira visita autorizada com pernoita ao pai.

Segundo os autos do processo, Adeyeye aproveitou a visita para levar a criança para o Reino Unido e, posteriormente, viajar para a Nigéria sem autorização materna.

Desde o rapto, Claire N’Djosse não voltou a ver o filho. O caso mobilizou tribunais britânicos e internacionais, tendo gerado forte preocupação relativamente à segurança e ao bem-estar da criança.

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O engenheiro foi posteriormente detido quando regressou ao Reino Unido. Inicialmente, recebeu uma pena de seis meses de prisão por incumprimento da ordem judicial que o obrigava a devolver Laurys à mãe.

Contudo, o desenvolvimento do processo em diferentes países acabou por aumentar a complexidade legal do caso. Um tribunal nigeriano atribuiu posteriormente responsabilidades parentais da criança a duas pessoas alegadamente ligadas à família de Adeyeye, sem o consentimento de Claire N’Djosse.

A decisão judicial na Nigéria levantou dúvidas sobre a cooperação internacional em casos de rapto parental e dificultou ainda mais os esforços para garantir o regresso da criança à mãe.

Juiz classificou o caso como um dos mais graves de rapto parental

O juiz britânico Sir Andrew McFarlane Hayden descreveu anteriormente o caso como pertencente “à categoria mais grave” de raptos parentais analisados pelo tribunal.

Numa avaliação particularmente dura, o magistrado considerou Adeyeye uma “ameaça perigosa ao bem-estar físico e emocional” do filho. O juiz acusou ainda o pai de agir de forma “completamente desonesta” ao longo de todo o processo judicial.

Segundo Hayden, a permanência de Adeyeye na prisão representava “a melhor, talvez a única, esperança” de reunir novamente Laurys com a mãe.

A preocupação das autoridades aumentou devido ao receio de que o fugitivo possa tentar regressar à Nigéria ou ocultar permanentemente o paradeiro da criança.

Tribunal autorizou divulgação pública de imagens do pai e da criança

Na tentativa de localizar Laurys, o Tribunal Superior britânico autorizou a divulgação pública dos nomes e fotografias da criança e do pai, numa decisão tomada após um pedido apresentado por Claire N’Djosse.

A medida pretende aumentar as possibilidades de identificação e facilitar eventuais denúncias por parte do público. As autoridades continuam a apelar à colaboração da população para localizar Adeyeye e garantir a segurança da criança.

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O caso continua a gerar forte atenção mediática no Reino Unido, não apenas pela dimensão internacional do rapto parental, mas também pelas falhas administrativas que permitiram a libertação de um homem considerado pelas autoridades judiciais como potencialmente perigoso.

Entretanto, organizações ligadas à proteção infantil e especialistas em direito da família alertam para a necessidade de reforçar os mecanismos internacionais de cooperação em casos de rapto parental transfronteiriço, sobretudo quando envolvem diferentes sistemas jurídicos e decisões contraditórias entre países.

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