Grupo VITA regista novas denúncias de abusos sexuais na Igreja Católica

O Grupo VITA, estrutura criada pela Conferência Episcopal Portuguesa para acompanhar situações de abuso sexual na Igreja Católica, tem vindo a receber novas denúncias, maioritariamente relacionadas com casos antigos. A informação foi avançada pela coordenadora, Rute Agulhas, durante o V Encontro Nacional das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, realizado em Fátima.

O Grupo VITA
Grupo VITA regista novas denúncias de abusos sexuais na Igreja Católica © Arquivo

Segundo a responsável, muitas das vítimas estão a falar pela primeira vez sobre experiências ocorridas no passado, procurando sobretudo apoio psicológico e acompanhamento, e não compensação financeira. Em vários destes casos, os alegados agressores já faleceram, o que limita a responsabilização judicial.

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Rute Agulhas sublinhou que ainda é prematuro avançar com números concretos, uma vez que os dados são divulgados de forma sistematizada em relatórios periódicos, apresentados semestralmente.

Dificuldade em identificar casos recentes preocupa responsáveis

Apesar das novas denúncias, a coordenadora alertou para a dificuldade em identificar situações mais recentes de abuso, que ainda não prescreveram do ponto de vista criminal. De acordo com a responsável, estes casos continuam a não chegar às estruturas da Igreja, incluindo o próprio Grupo VITA e as comissões diocesanas.

Neste contexto, destaca-se a importância do trabalho de proximidade desenvolvido com escolas, escuteiros e catequistas, considerados elementos-chave na deteção precoce de situações de risco, uma vez que mantêm contacto direto com crianças e jovens.

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Além disso, o Grupo VITA continua a receber pedidos de ajuda relacionados com abusos ocorridos fora do contexto da Igreja, nomeadamente em ambiente familiar ou escolar. Nestes casos, a estrutura procede ao encaminhamento para as entidades competentes, de acordo com a natureza da situação.

Compensações financeiras não são prioridade para vítimas

Relativamente ao processo de compensações financeiras às vítimas de abusos na Igreja Católica, que podem variar entre 9 mil e 45 mil euros, Rute Agulhas esclareceu que o Grupo VITA não está envolvido na definição desses montantes.

A responsável reforçou que a compensação financeira representa apenas uma parte do processo de reparação, que inclui também o acolhimento das vítimas, o acesso a apoio psicológico e médico, e o reforço das capacidades das estruturas eclesiásticas na prevenção de novos casos.

Continuidade do Grupo VITA poderá trazer novos objetivos

O primeiro plano de atividades do Grupo VITA, com duração de três anos, termina no final de maio, estando em avaliação a continuidade da estrutura. Segundo Rute Agulhas, existe disponibilidade para prosseguir o trabalho, ainda que com objetivos ajustados à realidade atual.

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Caso a continuidade seja confirmada, será apresentado um novo plano estratégico, refletindo as necessidades identificadas ao longo dos últimos anos e os desafios ainda por superar.

A responsável concluiu que, apesar dos progressos, permanece “muito trabalho por fazer”, sublinhando a necessidade de aprofundar mudanças estruturais e garantir respostas eficazes às vítimas, num processo que exige continuidade e compromisso institucional.

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