Na Rua de Tânger, em Rio Tinto, Gondomar, a Câmara Municipal iniciou, nesta terça-feira, a sexta intervenção de limpeza e remoção de entulho na habitação de um munícipe que acumula lixo de forma crónica. O problema tem afetado os moradores da zona desde 2020, gerando preocupações significativas relacionadas com insalubridade, segurança e saúde pública.

O residente sofre de síndrome de Diógenes, uma perturbação comportamental caracterizada pelo acúmulo compulsivo de objetos e resíduos. Apesar das limpezas periódicas, o homem continua a acumular lixo no interior da habitação e nas áreas exteriores, tornando as intervenções recorrentes uma necessidade constante.
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A situação tem causado sobressalto entre vizinhos, que relatam dificuldade em lidar com o cheiro, insetos e a presença de entulho em espaço urbano. Ana Correia Costa, jornalista que acompanha o caso, destacou a dimensão “desumana e preocupante” do fenómeno, sublinhando que a intervenção social e sanitária se mantém essencial para prevenir novos episódios.
Intervenções com autorização judicial e acompanhamento social
A Câmara de Gondomar explicou ao JN que as operações de remoção de lixo são realizadas por determinação judicial ou com consentimento do morador. Neste caso, embora estivesse em curso um processo na justiça, o munícipe autorizou a intervenção, dispensando a necessidade de ação coerciva.
Segundo a autarquia, a limpeza exterior já foi concluída, enquanto a remoção do lixo no interior da habitação ainda está em curso. Posteriormente, será realizada uma higienização completa da casa, com o objetivo de minimizar riscos para a saúde do próprio morador e da vizinhança.
A situação está em acompanhamento social contínuo desde 2020, em articulação com serviços de saúde, Unidade de Saúde Pública, forças de segurança e Ministério Público, garantindo uma abordagem integrada que alia intervenção sanitária à avaliação psicossocial do acumulador.
Em outubro de 2025, a Câmara solicitou novamente ao Ministério Público medidas que permitissem o acesso à propriedade privada, dada a gravidade do risco à saúde pública. A resposta ainda se encontra pendente, mas a autorização do munícipe permitiu iniciar de imediato a intervenção desta terça-feira.
Impacto na comunidade e importância do acompanhamento especializado
O caso evidencia os desafios que os municípios enfrentam perante acumuladores crónicos, em especial quando a situação envolve riscos ambientais, sanitários e sociais. A presença contínua de lixo, restos alimentares e materiais acumulados pode favorecer infestação de pragas, focos de infeção e degradação do espaço urbano, tornando essencial a coordenação entre serviços de saúde, segurança e assistência social.
Especialistas em saúde mental alertam que o acompanhamento psicológico e social é fundamental para evitar a reincidência, uma vez que a síndrome de Diógenes não se resolve apenas com a remoção física do lixo. O acompanhamento deve incluir avaliação clínica, apoio familiar e estratégias de reabilitação do comportamento de acumulação.
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Enquanto a operação decorre, os moradores da Rua de Tânger continuam a acompanhar com preocupação a situação, aguardando não apenas a limpeza completa, mas também ações sustentáveis de acompanhamento que evitem a repetição deste ciclo de acumulação e intervenção.

