Funcionários da TfL enfrentam ataques violentos em Londres

Cerca de 200 incidentes violentos por semana foram registados contra funcionários dos transportes públicos de Londres em 2023/24, segundo dados apresentados à Assembleia de Londres. No total, contabilizaram-se 10.493 ocorrências de violência e agressão relacionadas com o trabalho ao longo do ano.

Polícia britânica em estação
Funcionários da TfL enfrentam ataques violentos em Londres © Getty Images

A informação foi analisada no âmbito de uma nova investigação do comité de transportes da Assembleia, que ouviu relatos diretos de trabalhadores da Transport for London (TfL). Os testemunhos revelaram agressões físicas, ameaças de morte e falhas na resposta das autoridades.

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Desde 2021, os incidentes contra funcionários ferroviários aumentaram 35%, enquanto as agressões a motoristas de autocarro cresceram 18,5%. Dados adicionais indicam ainda um aumento significativo de denúncias entre outubro e dezembro de 2024, em comparação com o mesmo período de 2025.

Relatos de agressões e críticas à resposta policial

Luke Banks, agente de controlo de receitas no Metropolitano de Londres, descreveu ter sido agredido na estação de King’s Cross quando tentou proteger um colega ameaçado por um passageiro. Segundo relatou, o agressor empurrou ambos e proferiu ameaças de morte. O trabalhador criticou a demora na resposta da British Transport Police (BTP), afirmando que aguardou cerca de duas horas por assistência numa das principais estações da capital.

Também Paul Feakes, inspetor de controlo de receitas, relatou ter sido agredido com murros e arrastado pelo chão da bilheteira. No seu caso, a polícia metropolitana chegou ao local antes da BTP, que demorou cerca de 30 minutos a comparecer. O trabalhador revelou ainda que muitos colegas deixaram de denunciar incidentes por considerarem que “nada é feito”.

Entre os testemunhos ouvidos esteve igualmente o de Selington Rock Santan Fernandes, motorista de autocarro, que foi hospitalizado depois de um passageiro ter partido a porta da cabine e o ter agredido fisicamente na sequência do anúncio de um desvio de rota.

Sistema de denúncias sob crítica e promessa de melhorias

Dois problemas centrais marcaram a sessão parlamentar: a alegada falta de urgência na resposta da BTP e a ineficiência do sistema interno de registo de incidentes da TfL. Segundo os trabalhadores, o processo de denúncia pode demorar até 45 minutos, o que desincentiva a formalização das ocorrências.

Wayne King, dirigente nacional do sindicato Unite para o setor do transporte de passageiros, apelou a uma intervenção mais firme do presidente da câmara de Londres, da TfL e das operadoras de autocarros para reforçar a proteção dos motoristas.

Em resposta às críticas, Siwan Hayward, diretora de Segurança, Policiamento e Fiscalização da TfL, assegurou que a eliminação do risco de violência laboral é uma prioridade da organização. Admitiu, contudo, preocupação com a subnotificação dos casos.

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Já Emma Croxall, responsável pela Estratégia e Apoio em casos de Violência e Agressão Relacionadas com o Trabalho, indicou que se registou uma redução de 12% nos incidentes físicos e uma diminuição de 20% nos casos de abuso verbal e ameaças. Um novo sistema de reporte será testado em junho e implementado progressivamente a partir de setembro.

Em comunicado, a British Transport Police reiterou que não tolera qualquer forma de violência na rede ferroviária e garantiu que continuará a colaborar com a TfL para identificar e responsabilizar os agressores.

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