Um menino de três anos, que teria quase certamente nascido paralisado devido a uma malformação grave da coluna vertebral, consegue hoje andar após ter sido submetido a uma cirurgia inovadora com células estaminais ainda durante a gestação.

Tobi Maginnis foi diagnosticado, às 20 semanas de gravidez, com espinha bífida, uma condição em que a medula espinhal não se desenvolve corretamente, podendo ficar parcialmente exposta fora do corpo. A forma mais grave da doença, conhecida como mielomeningocele, pode provocar paralisia total das pernas, bem como problemas no controlo intestinal e urinário.
PUBLICIDADE
Has your vehicle been impounded for no insurance? Get impounded car insurance fast.
Perante o prognóstico reservado, os pais aceitaram integrar um ensaio clínico inédito, conduzido pelo University of California Davis Children’s Hospital. Tobi tornou-se o segundo bebé no mundo a ser submetido a uma técnica experimental que combina cirurgia fetal com aplicação de células estaminais retiradas da placenta.
Atualmente, segundo a mãe, Michelle Johnson, o filho “corre, anda, salta e está sempre em movimento”. A família admite que esperava que Tobi viesse a depender de cadeira de rodas, descrevendo a evolução como “nada menos do que um milagre”.
Ensaio clínico inédito publicado na The Lancet
Tobi foi um dos seis bebés incluídos no primeiro ensaio clínico mundial desta abordagem. Cerca das 25 semanas de gestação, os cirurgiões realizaram uma pequena incisão no abdómen e no útero da mãe, colocaram um enxerto com células estaminais sobre a medula exposta do feto e encerraram a incisão, permitindo a regeneração do tecido.
De acordo com os resultados publicados na revista científica The Lancet, todos os bebés nasceram saudáveis e sem sinais de efeitos secundários associados ao tratamento.
O pai de Tobi, Jeff Maginnis, reconheceu que o procedimento envolvia incertezas, sublinhando tratar-se apenas do segundo caso humano submetido à técnica com células estaminais. Ainda assim, afirma que a resposta positiva do filho à cirurgia é motivo de gratidão diária.
A investigação foi liderada pela cirurgiã pediátrica Diana Farmer, pioneira na área da cirurgia fetal. A especialista revelou que o nascimento da primeira bebé submetida ao procedimento, uma menina chamada Robbie, superou as expectativas, ao apresentar movimentos ativos das pernas logo após o parto. Apesar dos resultados encorajadores, a médica afirma manter uma postura “cautelosamente otimista”, salientando que é essencial acompanhar os efeitos a longo prazo da presença de células estaminais na medula espinhal fetal.

Esperança para centenas de bebés afetados todos os anos
No Reino Unido, cerca de 500 bebés nascem anualmente com mielomeningocele, a forma mais severa de espinha bífida. Embora a cirurgia intrauterina para corrigir a malformação seja cada vez mais frequente, estudos indicam que aproximadamente metade das crianças não consegue caminhar de forma independente.
PUBLICIDADE
Looking for car insurance in the UK? Compare car insurance with I Compare 4U.
A equipa norte-americana acredita que a utilização de células estaminais poderá melhorar significativamente os resultados, nomeadamente no que respeita à mobilidade e ao controlo das funções básicas.
Entretanto, foi iniciado um novo ensaio clínico alargado, que envolverá 35 grávidas. Os bebés serão acompanhados ao longo de vários anos para confirmar a eficácia e segurança da técnica a longo prazo, num avanço que poderá transformar o tratamento da espinha bífida a nível mundial.

