Frelimo apela à união africana face a ataques xenófobos na África do Sul

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, reforçou a necessidade de união, solidariedade e respeito entre os povos africanos perante os recentes ataques a imigrantes na África do Sul. Em comunicado divulgado na sua conta oficial na rede social Facebook, a formação política alertou que estes episódios representam uma grave violação da dignidade humana e colocam em causa os esforços de integração regional no continente.

A Frente de Libertação de Moçambique
Frelimo apela à união africana face a ataques xenófobos na África do Sul © Lusa

“A unidade africana está acima de tudo. A perseguição a estrangeiros na África do Sul agride os valores da dignidade humana e da integração regional”, refere a publicação. A Frelimo condenou de forma firme os atos de violência, classificando-os como “inaceitáveis” e defendendo que devem ser rejeitados por todos os africanos, em nome dos princípios de solidariedade e convivência pacífica.

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Nos últimos dias, a África do Sul tem registado um aumento de manifestações e tensões sociais dirigidas contra comunidades migrantes. No início do mês, uma marcha contra a imigração degenerou em episódios de violência, incluindo ataques a estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros na província do Cabo Oriental, no leste do país.

Governo moçambicano acompanha situação com preocupação

A ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, considerou a situação “bastante lamentável”, sublinhando o impacto negativo destes acontecimentos na estabilidade social e nas relações entre países africanos. A governante afirmou que o executivo acompanha atentamente o evoluir dos acontecimentos e manifestou esperança numa resolução célere da crise.

Apesar da gravidade da situação, Ivete Alane indicou que, até ao momento, não existem informações oficiais que confirmem cidadãos moçambicanos entre as vítimas dos ataques. Ainda assim, destacou a importância de manter vigilância e reforçar os mecanismos de proteção consular.

Embaixada apela à calma e à precaução

A embaixadora de Moçambique na África do Sul, Maria Gustavo, apelou à serenidade da comunidade moçambicana residente naquele país. A diplomata recomendou que os cidadãos evitem participar em manifestações ou deslocar-se a zonas consideradas de risco, incentivando-os a manter contacto com as autoridades consulares.

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A responsável aconselhou ainda que eventuais vítimas de violência procurem imediatamente apoio junto das representações diplomáticas moçambicanas, de forma a garantir assistência e acompanhamento adequados. Além disso, destacou a importância de acompanhar as informações partilhadas por líderes comunitários e canais oficiais.

Oposição exige medidas e maior ação diplomática

Os partidos da oposição em Moçambique também reagiram aos acontecimentos, exigindo uma resposta mais assertiva por parte do Governo. O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) defendeu a necessidade de ações conjuntas entre Maputo e Pretória, apontando falhas na atuação consular e diplomática.

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o que considera ser um silêncio do executivo perante a situação, propondo a criação de uma comissão parlamentar para abordar diretamente o problema com as autoridades sul-africanas.

Já a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente junto do Governo da África do Sul, manifestando preocupação com a segurança dos cidadãos moçambicanos e de outros migrantes africanos naquele território.

Episódios recorrentes reforçam alerta no continente

Os recentes ataques inserem-se num padrão mais amplo de violência xenófoba na África do Sul, país que tem enfrentado episódios semelhantes ao longo dos anos. Um dos casos mais marcantes ocorreu em 2019, quando confrontos violentos resultaram na morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo dados da organização Human Rights Watch.

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Este histórico tem vindo a intensificar os apelos a uma resposta coordenada entre os países africanos, com vista ao reforço dos mecanismos de cooperação, prevenção de conflitos e proteção dos direitos dos migrantes. A situação atual volta a evidenciar a necessidade de políticas eficazes que promovam a convivência pacífica e a integração no continente africano.

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