Uma das plantas mais raras e impressionantes do mundo está prestes a florescer em Londres. A titan arum, popularmente conhecida como flor-cadáver, deverá abrir nos próximos dias nos famosos Jardins de Kew, tornando-se uma das principais atracções botânicas do momento na capital britânica.

O exemplar encontra-se instalado no Princess of Wales Conservatory, onde está a ser cuidadosamente monitorizado por especialistas. A planta tem apresentado um crescimento acelerado nas últimas semanas, aumentando cerca de 8 centímetros por dia, e já ultrapassa os 2,20 metros de altura.
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Segundo Solene Dequiret, gestora do conservatório, o momento exacto da abertura continua incerto, uma vez que esta espécie é conhecida por surpreender os horticultores até ao último instante. Ainda assim, a responsável garante que a floração deverá acontecer dentro de poucos dias.
Quando abrir, o fenómeno será breve. Tal como acontece com outros exemplares da espécie, a flor permanecerá aberta durante apenas dois a três dias, o que aumenta ainda mais o interesse do público e dos investigadores.
O odor intenso faz da flor-cadáver uma das plantas mais conhecidas do mundo
Originária das florestas tropicais de Sumatra, na Indonésia, a titan arum é considerada uma das maiores estruturas florais existentes no planeta. No entanto, não é apenas o tamanho invulgar que a torna famosa.
A planta ganhou notoriedade internacional devido ao cheiro extremamente forte e desagradável que liberta durante a floração. O aroma é frequentemente comparado ao de carne em decomposição ou animal morto, razão pela qual recebeu a alcunha de flor-cadáver.
Apesar de repulsivo para os seres humanos, este odor tem uma função essencial para a sobrevivência da espécie. O cheiro serve para atrair polinizadores naturais, especialmente moscas necrófagas e outros insectos associados à decomposição orgânica.
Durante a floração, a estrutura central da planta, denominada espádice, também produz calor. Este mecanismo ajuda a difundir o odor por uma área maior, aumentando a eficácia na atracção de insectos.
Tom Pickering, responsável pelas colecções de estufas dos Jardins de Kew, afirmou que a presença da titan arum torna-se impossível de ignorar assim que a planta abre, uma vez que o cheiro invade rapidamente todo o espaço envolvente.
Jardins de Kew mantêm dezenas de exemplares para conservação
Os Jardins de Kew possuem actualmente cerca de 40 plantas titan arum em diferentes fases de desenvolvimento, mantidas em áreas reservadas e ambientes controlados. Muitos destes exemplares foram originalmente doados sob a forma de sementes.
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Como a floração desta espécie é rara e imprevisível, os horticultores recorrem frequentemente à recolha e congelação de pólen. Desta forma, quando outra planta floresce, torna-se possível realizar a polinização artificial e assegurar a continuidade genética da espécie.
Este trabalho é particularmente importante porque a titan arum está classificada como espécie ameaçada na natureza, sobretudo devido à desflorestação acelerada e à destruição do seu habitat natural em Sumatra.
Além disso, as sementes desta planta não podem ser conservadas de forma convencional em bancos de sementes durante longos períodos, o que torna os jardins botânicos fundamentais para a sua preservação.
Importância dos jardins botânicos na protecção de espécies ameaçadas
Segundo os especialistas de Kew, a titan arum representa um excelente exemplo do papel desempenhado pelos jardins botânicos na conservação de espécies em risco.
Através do cultivo, propagação e partilha de exemplares entre instituições científicas de diferentes países, é possível criar populações seguras fora do habitat natural e reduzir o risco de desaparecimento total.
Este modelo de conservação ex situ tem sido utilizado em várias espécies vegetais ameaçadas e permite manter diversidade genética enquanto decorrem esforços para proteger os ecossistemas naturais.
Flor-cadáver tem longa história de sucesso em Londres
A relação entre os Jardins de Kew e a titan arum não é recente. O primeiro exemplar desta espécie a florescer em Kew — e também o primeiro fora da sua Sumatra natal — abriu em 1889, marcando um momento histórico para a botânica mundial.
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Mais tarde, em 1926, uma nova floração provocou tamanho entusiasmo popular que as autoridades tiveram de chamar a polícia para controlar as multidões que se deslocaram ao local.
Quase um século depois, a flor-cadáver continua a despertar enorme curiosidade entre visitantes, investigadores e amantes da natureza. Sempre que floresce, transforma-se num acontecimento raro, breve e inesquecível.

