O risco de uma guerra nuclear é agora considerado mais elevado do que durante a Guerra Fria, após a expiração do último tratado de controlo de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia. O New Start Treaty, assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares distribuídas por até 700 mísseis e bombardeiros.

O tratado, que vigorava há mais de uma década, tinha como objetivo principal reduzir o risco de conflito nuclear e limitar a expansão dos arsenais estratégicos. Com a sua expiração, anunciada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Moscovo afirma não estar mais vinculada às obrigações do acordo e livre para decidir os próximos passos, abrindo caminho para uma potencial escalada no desenvolvimento de armamento nuclear.
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Especialistas alertam que esta situação marca o início de uma nova corrida armamentista global, agora sem qualquer restrição formal, o que aumenta o risco de tensões e acidentes que poderiam ter consequências catastróficas para a segurança mundial.
Perigos atuais e alertas de especialistas
Florian Eblenkamp, responsável de advocacy da campanha internacional ICAN (International Campaign to Abolish Nuclear Weapons), sublinha que a Guerra Fria se manteve “fria” porque os líderes entendiam o risco nuclear como demasiado elevado. Hoje, a maior parte dos acordos de desarmamento está inoperacional ou foi abandonada, tornando o perigo de conflito nuclear “ainda maior” do que naquela altura.
Eblenkamp alerta ainda que a ideia de cada país manter armas nucleares em nome da “segurança” é contraproducente. Para a Europa, a situação é particularmente preocupante, já que um eventual conflito nuclear entre EUA e Rússia seria conduzido sem controlo dos governos europeus. O especialista defende a retirada de armas nucleares americanas instaladas em solo europeu e russas na Bielorrússia como passos fundamentais para reduzir o risco de catástrofe.
O fim do tratado também evidencia a crescente falta de confiança entre Washington e Moscovo, o que poderá levar a uma dependência maior de outros países na corrida armamentista. Países como o Reino Unido e outras nações europeias estão, assim, colocados no centro de um cenário de tensão global sem precedentes desde a Guerra Fria.
Impacto geopolítico e necessidade de desarmamento
Além dos riscos imediatos de escalada militar, o fim do New Start Treaty tem implicações significativas para a diplomacia e segurança internacional. Sem limites formais, não existem restrições sobre o número de mísseis ou ogivas que podem ser desenvolvidos, aumentando a instabilidade e dificultando a negociação de futuros acordos.

Organizações internacionais e especialistas em desarmamento apelam à promoção de uma proibição universal de armas nucleares, defendendo que medidas como a retirada de arsenais de países terceiros e maior transparência entre Estados nucleares poderiam reduzir significativamente os riscos. Segundo Eblenkamp, “esta corrida armamentista pode não permanecer fria para sempre. Armas nucleares estão a tornar-se ‘pensáveis’ de novo, e é por isso que devemos continuar a promover uma proibição global”.
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O fim do New Start Treaty simboliza não apenas a deterioração das relações entre EUA e Rússia, mas também um alerta global sobre os perigos de dependência excessiva em arsenais nucleares estratégicos. Especialistas concluem que, sem medidas de contenção eficazes, o mundo poderá estar a entrar numa era de instabilidade nuclear ainda mais perigosa do que a vivida durante a Guerra Fria.

