O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi detido no Brasil esta quinta-feira (16 de abril) pela Polícia Federal, no âmbito de uma investigação relacionada com o banco Master.

A detenção integra a quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura um alegado esquema de branqueamento de capitais destinado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
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Além de Costa, foi também emitido mandado de detenção contra o advogado Daniel Lopes Monteiro, identificado como operador jurídico-financeiro do esquema. As autoridades investigam suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, crimes financeiros e associação criminosa.
As detenções foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que aponta indícios de pagamento de subornos por parte de Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, com o objetivo de viabilizar a aquisição da instituição pelo BRB.
No total, foram ainda cumpridos sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Acusações envolvem imóveis de elevado valor e operações financeiras suspeitas
De acordo com a decisão judicial, Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido seis imóveis como contrapartida ilícita — quatro em São Paulo e dois em Brasília — avaliados em mais de 146 milhões de reais.
As investigações incluem trocas de mensagens entre Costa e Vorcaro, que, segundo o magistrado, demonstram proximidade e alinhamento para a prática de actos ilícitos. A Polícia Federal indica ainda tentativas de ocultar a titularidade dos bens através de empresas fictícias e fundos de investimento.
Já Daniel Lopes Monteiro terá desempenhado um papel central na estruturação jurídica das operações, conferindo aparência de legalidade a transacções suspeitas, incluindo carteiras de crédito alegadamente fictícias vendidas pelo banco Master ao BRB. Auditorias do Banco Central do Brasil identificaram inconsistências nesses documentos, incluindo contratos associados a pessoas falecidas.
Quem é Paulo Henrique Costa
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre fevereiro de 2019 e novembro de 2025, tendo sido nomeado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
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Licenciado em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco, possui ainda formação avançada no Reino Unido e nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, destacou-se em cargos de liderança no sector financeiro, incluindo funções na Caixa Económica Federal e no Banco Panamericano.
Foi afastado do cargo em novembro de 2025, na sequência da primeira fase da Operação Compliance Zero.
Relação entre o BRB e o banco Master levanta suspeitas
O BRB entrou no radar das autoridades devido à aquisição de activos do banco Master no valor de 12,2 mil milhões de reais. A investigação centra-se na eventual venda de carteiras de crédito consignado fictícias, numa operação que poderia ter sido utilizada para melhorar artificialmente a situação financeira do Master.
O negócio acabou por ser travado após questionamentos do Ministério Público e auditorias conduzidas pelo Banco Central do Brasil, que identificaram irregularidades graves.
O banco Master e outras empresas do grupo liderado por Daniel Vorcaro foram posteriormente alvo de liquidação extrajudicial, em novembro de 2025, devido a problemas de liquidez, violações regulatórias e deterioração financeira.
Vorcaro encontra-se actualmente detido e em negociações para um eventual acordo de colaboração com a justiça, o que poderá trazer novos desenvolvimentos ao caso.
Caso Master: crescimento arriscado e colapso financeiro
Segundo as autoridades, o modelo de negócio do banco Master baseava-se fortemente na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDB) com taxas acima da média do mercado, estratégia que visava atrair investidores e aumentar a liquidez.
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No entanto, dificuldades em captar recursos suficientes para honrar esses compromissos levaram a instituição a vender activos, incluindo carteiras de crédito, intensificando os riscos financeiros.
O caso tem gerado forte expectativa no meio político e judicial brasileiro, sobretudo devido às possíveis ligações entre o banco e figuras influentes, cujas implicações poderão ser reveladas com o avanço das investigações.

