Escândalo na Carris: mulher expulsa por usar hijab e máscara em Lisboa

Uma mulher muçulmana de 26 anos foi expulsa de um autocarro da Carris, em Lisboa, por usar hijab e máscara cirúrgica, numa situação que está a gerar polémica e levou à abertura de um inquérito interno. O incidente ocorreu na passada sexta-feira de manhã, quando a cidadã bengalesa regressava a casa após deixar os filhos numa escola da capital.

Carris lisboa
Escândalo na Carris: mulher expulsa por usar hijab e máscara em Lisboa © Reinaldo Rodrigues

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Segundo o relato da própria, o motorista da carreira 737 impediu-a de entrar no veículo, alegando que não podia viajar com o rosto tapado. Apesar de ter baixado a máscara para mostrar a cara, a passageira afirma que o condutor insistiu que o autocarro não arrancaria enquanto esta não retirasse completamente a máscara. Perante a pressão, incluindo a de outra passageira, acabou por abandonar o veículo.

Carris abre inquérito e reforça compromisso com inclusão

Em resposta ao sucedido, a Carris informou que abriu um processo de averiguação para apurar os factos. A empresa, detida pela Câmara Municipal de Lisboa, sublinha que se rege por princípios de inclusão, respeito pela diversidade e cumprimento das normas legais e éticas, garantindo que serão adotadas medidas adequadas após a conclusão do inquérito.

O caso motivou também uma reação política. O Bloco de Esquerda questionou a autarquia sobre a situação, considerando que o episódio não deve ser encarado como um ato isolado, mas analisado no contexto da cultura organizacional e da formação dos trabalhadores da transportadora.

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Câmara de Lisboa pressionada a esclarecer medidas

Num requerimento dirigido ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, a vereadora do BE, Carolina Serrão, solicitou esclarecimentos sobre as diligências já tomadas no âmbito do inquérito e o prazo previsto para a sua conclusão.

A autarca questiona ainda que tipo de formação é atualmente ministrada aos funcionários da Carris em matérias como interculturalidade, diversidade religiosa e combate ao racismo e xenofobia, bem como que medidas concretas serão implementadas para evitar situações semelhantes no futuro.

Queixa apresentada à PSP e apoio associativo

A vítima, que reside em Portugal há seis anos, recorreu ao apoio da associação Renovar a Mouraria após o incidente. Com o acompanhamento da técnica Rita Castro, apresentou queixa junto da Polícia de Segurança Pública e registou a ocorrência no livro de reclamações digital da Carris.

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De acordo com a associação, o episódio teve um forte impacto emocional na jovem, refletindo um ambiente que consideram cada vez mais hostil para migrantes. Foram ainda identificadas testemunhas que seguiam no autocarro e que poderão contribuir para o esclarecimento dos factos.

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