Escândalo Epstein: Mandelson acusado de trair o Reino Unido

O secretário da Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, afirmou que Lord Mandelson deve enfrentar as consequências de ter “traído a Grã-Bretanha, dois primeiros-ministros, as vítimas de Jeffrey Epstein e o interesse nacional”, na sequência de novas revelações que abalaram Westminster. As declarações surgem após a divulgação, nos Estados Unidos, de documentos que expõem ligações do antigo ministro britânico ao financiador e criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Lord Mandelson
Escândalo Epstein: Mandelson acusado de trair o Reino Unido © Jaimi Joy/Reuters

Investigação criminal e alegações de má conduta em funções públicas

A Polícia Metropolitana de Londres confirmou a abertura de uma investigação criminal para apurar se Lord Mandelson, de 72 anos, cometeu o crime de má conduta em funções públicas. Em causa está a alegada partilha de informação financeira sensível com Epstein em 2009, quando exercia funções como secretário de Estado dos Negócios durante o governo de Gordon Brown.

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Segundo as autoridades, os documentos analisados indicam que salvaguardas oficiais foram comprometidas e que poderá ter sido transmitida informação suscetível de influenciar os mercados financeiros. Este crime pode implicar uma pena máxima de prisão perpétua.

Wes Streeting descreveu o ambiente político como de “choque profundo”, afirmando que políticos de várias gerações, de diferentes governos, terão reagido com incredulidade às revelações. Para o governante, existe um sentimento generalizado de “traição” dentro do Executivo e do Partido Trabalhista.

Pressão política sobre o Governo e exigência de transparência

O caso intensificou a pressão sobre o primeiro-ministro, Sir Keir Starmer, devido à sua decisão de nomear Lord Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. A controvérsia levou o antigo ministro a abandonar a Câmara dos Lordes, depois de o Governo ter iniciado procedimentos para lhe retirar o título de par do reino.

A oposição conservadora exigiu a divulgação integral de documentos relacionados com o processo de nomeação diplomática, questionando o sistema de verificação aplicado. A líder conservadora, Kemi Badenoch, acusou o Governo de ignorar alertas para viabilizar uma nomeação política sensível, tendo sido apresentada uma moção parlamentar para obrigar à publicação de comunicações internas e relatórios de diligência devida.

Em resposta, Downing Street afirmou estar a adotar uma abordagem de “total transparência”, aceitando a divulgação de documentos, com exceção daqueles que possam comprometer a segurança nacional ou as relações internacionais.

Reações adicionais e novos desenvolvimentos

O antigo primeiro-ministro Gordon Brown confirmou ter fornecido às autoridades informações consideradas relevantes, classificando a atuação de Lord Mandelson como “injustificável e antipatriótica”. Emails de 2009 agora tornados públicos sugerem que informações sensíveis terão sido partilhadas em várias ocasiões, incluindo avaliações sobre possíveis medidas políticas e planos de venda de ativos.

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Lord Mandelson ainda não se pronunciou publicamente, mas, segundo a BBC, nega qualquer atuação criminosa ou benefício pessoal, afirmando que procurou aconselhamento de Epstein no que considerava ser o interesse nacional e garantindo total colaboração com a investigação policial.

O escândalo continua a dominar a agenda política britânica, com potenciais implicações graves tanto a nível judicial como para a estabilidade política do atual Governo.

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