Adolescente justifica ataque mortal

Um adolescente de 16 anos afirmou em tribunal que atacou um homem com pedras e uma garrafa por considerar que a polícia “não iria fazer nada” perante a suspeita de comportamento sexual impróprio com uma menor. O depoimento foi prestado no âmbito do julgamento que decorre no Woolwich Crown Court, em Londres, relacionado com a morte de Alexander Cashford, de 49 anos, ocorrida a 10 de agosto do ano passado, em Leysdown-on-Sea, no condado inglês de Kent.

Alexander Cashford
Adolescente justifica ataque mortal © Kent Police/PA

O caso envolve três arguidos menores de idade — um rapaz de 16 anos, uma rapariga da mesma idade e outro jovem de 15 — todos acusados de homicídio. Segundo a acusação, a vítima foi atraída para um encontro junto ao paredão marítimo da localidade e acabou por ser perseguida e violentamente agredida, vindo a morrer em consequência dos ferimentos sofridos.

PUBLICIDADE

Carro apreendido por falta de seguro? Cotação de seguro para veículos apreendidos pela polícia no Reino Unido por falta de seguro ou de documentação.

Contacto inicial e troca de mensagens com identidade falsa

De acordo com os elementos apresentados ao júri, Alexander Cashford terá conhecido a rapariga dois dias antes do ataque, num salão de jogos da estância balnear. Após uma breve interação, o homem deu-lhe o seu número de telefone, que viria a ser guardado no telemóvel do rapaz de 16 anos com a designação “Pedo”.

Utilizando o nome falso “Sienna”, os três adolescentes trocaram cerca de 75 mensagens com a vítima, que acreditava estar a comunicar com uma jovem. O tribunal foi informado de que, ao longo dessas conversas, foi combinado um encontro para o dia 10 de agosto, junto à zona costeira da localidade.

Após o ataque, o adolescente de 16 anos fez capturas de ecrã das mensagens trocadas, explicando em tribunal que pretendia conservar provas de que o homem estava a tentar encontrar-se com uma menor de idade.

Depoimento do arguido e desconfiança face às autoridades

Durante o interrogatório conduzido pela procuradora Kate Blumgart KC, o jovem foi questionado sobre o seu estado de espírito no momento em que registou as conversas. Admitiu que, na altura, acreditava ter tomado a decisão correta ao agredir a vítima, justificando essa convicção com a perceção de que a polícia não iria agir de forma eficaz.

O arguido reconheceu que chegou a ponderar denunciar a situação às autoridades, mas acabou por não o fazer, reiterando a ideia de que a sua denúncia não teria consequências. Questionado sobre o que esperava que a polícia fizesse, respondeu que queria que o homem fosse detido.

Imagens do ataque e consequências fatais

Imagens de vídeo exibidas em tribunal mostram o adolescente a atingir Alexander Cashford na parte de trás da cabeça com uma garrafa, que não chegou a partir-se, tentando atingi-lo novamente pelo menos uma vez. O jovem admitiu que pretendia magoar a vítima, mas declarou não acreditar que o impacto pudesse causar ferimentos graves, afirmando que esperava apenas provocar um inchaço.

No seu depoimento, o arguido referiu não ter plena clareza sobre os seus pensamentos no momento do ataque, afirmando que agiu de forma impulsiva ao pegar na garrafa. As imagens mostram ainda o adolescente e o coarguido de 15 anos a correrem atrás da vítima enquanto esta tentava fugir.

Segundo a acusação, a gravação foi realizada pela rapariga, utilizando o telemóvel do jovem de 16 anos. Durante o ataque, é possível ouvir a jovem a gritar insultos, afirmando repetidamente a sua idade.

Resultados da autópsia e enquadramento legal do caso

A autópsia revelou que Alexander Cashford sofreu múltiplas lesões na cabeça e no rosto, hematomas extensos nos membros e no tronco, bem como várias costelas fraturadas. Algumas dessas fraturas perfuraram um pulmão, causando lesões internas graves que acabaram por provocar a morte.

PUBLICIDADE

Conduz no Reino Unido? Compare preços de seguros de mais de 100 seguradoras em menos de 3 minutos no portal de comparação de seguros Icompare4u.

O rapaz de 16 anos, cuja identidade não pode ser revelada por razões legais, declarou-se anteriormente culpado de uma acusação secundária de homicídio involuntário. A rapariga e o jovem de 15 anos negam essa acusação. Todos os três arguidos rejeitam a acusação de homicídio, continuando o julgamento a decorrer no tribunal britânico

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top