Novos emails tornados públicos indicam que Jeffrey Epstein terá atribuído ao então príncipe Charles a responsabilidade pela saída de Andrew Mountbatten-Windsor do cargo de representante especial do Reino Unido para o comércio e investimento, em 2011.

No dia em que foi anunciada a cessação de funções de Andrew enquanto enviado comercial, Epstein respondeu a uma mensagem de um associado que mencionava “muita cobertura televisiva sobre PA”, numa referência que se acredita significar “Prince Andrew”. Na resposta, o financeiro escreveu: “Presumo que ele [Andrew] saiba que isto é obra de Charles”.
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Numa mensagem posterior, acrescentou: “Tenho a certeza de que isto é bom para ele [Andrew], agora ficará livre”.
A saída de Andrew ocorreu poucos meses depois de se terem tornado virais fotografias que o mostravam a caminhar com Epstein num parque em Nova Iorque, reacendendo a controvérsia em torno da sua ligação ao investidor norte-americano, posteriormente condenado por crimes sexuais.
Investigação policial e alegações de partilha de informação confidencial
Nos últimos dias, a polícia iniciou uma investigação para apurar denúncias de que Andrew poderá ter partilhado informações confidenciais com Epstein enquanto desempenhava funções como enviado comercial, entre 2001 e 2011.
De acordo com mensagens incluídas nos chamados “ficheiros Epstein”, o antigo membro da família real terá transmitido detalhes sobre oportunidades de investimento e relatórios relativos a visitas comerciais oficiais.
Andrew tem negado qualquer irregularidade, tanto no exercício das suas funções públicas como na sua associação com Epstein.
A Downing Street recusou comentar alegações segundo as quais Andrew terá imputado ao erário público despesas relacionadas com massagens e custos de viagens considerados excessivos durante o período em que exerceu o cargo.
O porta-voz oficial do primeiro-ministro declarou que quaisquer alegações específicas deverão ser analisadas pelas autoridades competentes, sublinhando que o Governo está disponível para colaborar com a investigação policial, mas não fará comentários detalhados sobre um inquérito em curso.
Debate inédito no Parlamento britânico
A controvérsia levou à realização de um dos primeiros debates parlamentares focados num membro da família real. Embora seja prática comum evitar críticas explícitas à monarquia na Câmara dos Comuns, o presidente da Casa, Lindsay Hoyle, autorizou o debate, tendo em conta que Andrew foi destituído dos seus títulos e funções oficiais.

Durante a sessão, o deputado trabalhista Chris Bryant afirmou que vários colegas e funcionários públicos relataram experiências semelhantes nas suas interações com Mountbatten-Windsor, descrevendo um padrão de comportamento centrado na autopromoção e no interesse próprio.
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Andrew foi nomeado representante especial do Reino Unido para o comércio e investimento em 2001 pelo então primeiro-ministro Tony Blair. O cargo foi criado especificamente para si e manteve-se até 2011, quando se demitiu na sequência das críticas relacionadas com a sua amizade com Epstein.
O caso continua a gerar repercussões políticas e mediáticas no Reino Unido, num momento em que as autoridades procuram esclarecer a extensão das interações entre Andrew e Epstein e o eventual impacto das mesmas nas funções públicas desempenhadas pelo antigo príncipe.

