Os profissionais de saúde em Londres estão a enfrentar um aumento significativo de episódios de violência, agressões e abusos verbais, fenómeno que tem sido atribuído sobretudo aos longos tempos de espera no sistema de saúde e ao crescimento de problemas de saúde mental entre os pacientes.

Dados recentes do London Ambulance Service revelam que, em 2024, os incidentes de violência, agressividade e abuso dirigidos aos trabalhadores aumentaram 11,3% em comparação com o ano anterior. Paralelamente, um inquérito realizado junto de profissionais do National Health Service (NHS) indicou que mais de um em cada sete trabalhadores relatou ter sofrido pelo menos um episódio de violência física nos últimos 12 meses.
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Além disso, cerca de 25% dos profissionais afirmaram ter sido alvo de assédio, intimidação ou abuso verbal no mesmo período, evidenciando um clima de crescente tensão no sistema de saúde britânico.
Durante uma audição realizada a 4 de março pelo London Assembly Health Committee, especialistas e dirigentes hospitalares alertaram que muitos destes episódios estão diretamente relacionados com fatores externos ao trabalho clínico.
Segundo Lisa Elliott, diretora para Londres do Royal College of Nursing, a frustração causada pelos longos tempos de espera está frequentemente a ser descarregada nos profissionais mais próximos dos doentes.
De acordo com a responsável, os enfermeiros, que permanecem junto dos pacientes durante longos períodos, tornam-se frequentemente o alvo mais imediato da insatisfação.
Problemas de saúde mental aumentam riscos nas urgências hospitalares
Outro fator apontado para o aumento da violência é o crescimento do número de pacientes com problemas de saúde mental que recorrem às urgências hospitalares. Desde 2023, muitas ocorrências relacionadas com saúde mental deixaram de ter resposta direta da polícia, o que levou a um maior número de pessoas a procurar ajuda nos hospitais.
Segundo responsáveis do setor, este cenário tem criado ambientes mais tensos nas urgências, onde profissionais lidam simultaneamente com elevados volumes de pacientes e situações clínicas complexas.
Relatos apresentados na comissão indicam que alguns profissionais foram pontapeados, estrangulados ou alvo de abusos verbais e emocionais durante o exercício das suas funções.
Jason Killens, diretor executivo do London Ambulance Service, afirmou que houve um aumento de cerca de 90% no número de pacientes classificados como necessitando de apoio em saúde mental que recorrem ao serviço.
Além disso, muitos episódios de agressão envolvem pessoas sob influência de álcool ou drogas, o que aumenta o risco para as equipas médicas e de emergência.
Violência afeta moral dos profissionais e funcionamento do NHS
Especialistas alertam que o aumento destes incidentes tem consequências profundas para o funcionamento do sistema de saúde. Um relatório publicado em 2021 pelo Social Partnership Forum estima que a violência e agressão contra trabalhadores do NHS custam cerca de 1,36 mil milhões de libras por ano, considerando baixas médicas, rotatividade de funcionários e perda de produtividade.
Os profissionais relatam também um impacto significativo na moral das equipas. Muitos afirmam trabalhar com a constante preocupação de poderem tornar-se vítimas de agressões.
De acordo com especialistas, este ambiente pode levar sobretudo os profissionais mais jovens a questionar a continuidade da carreira na área da saúde.
Novas medidas de segurança para proteger profissionais de saúde
Para tentar travar a escalada de violência, autoridades e responsáveis hospitalares defendem novas medidas de proteção. Entre as propostas está a utilização de câmaras corporais por parte de alguns profissionais, tecnologia que tem sido testada em projetos-piloto e que poderá funcionar como elemento dissuasor.
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Outra sugestão passa pela criação de agentes de segurança hospitalares com poderes de detenção, reduzindo a dependência da polícia, que frequentemente se encontra sobrecarregada.
Em 2024, o National Health Service lançou também o Violence Prevention Reduction Standard, um quadro de ação que estabelece a responsabilidade legal das organizações de saúde na prevenção e controlo da violência no local de trabalho.
As autoridades alertam, contudo, que resolver o problema exigirá também melhorias estruturais no sistema de saúde e respostas mais eficazes para a saúde mental da população.


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