Nos últimos dias, o dólar americano registou a sua menor valorização em quatro anos face a um cabaz de moedas internacionais, destacando-se quedas significativas face ao euro e à libra esterlina, segundo reporta a BBC. A moeda norte-americana caiu cerca de 3% em apenas uma semana, gerando preocupações entre investidores e analistas sobre a sua trajetória futura.

Factores que impulsionam a queda do dólar
O declínio do dólar decorre de vários fatores, entre os quais se destacam a política económica do governo Trump e tensões geopolíticas crescentes. Especialistas apontam que a forma imprevisível das decisões presidenciais, incluindo a escalada e desescalada de tarifas e recentes divergências com a Europa sobre a Gronelândia, tem abalado a confiança dos mercados.
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Além disso, a procura por oportunidades de investimento fora dos Estados Unidos e o recente abalo no mercado de obrigações japonês também contribuíram para a desvalorização. Embora declarações do secretário do Tesouro norte-americano tenham ajudado a estabilizar temporariamente a moeda, a incerteza sobre futuras ações do governo mantém os investidores cautelosos.
Consequências para a economia global e consumidores
A queda do dólar tem implicações diretas para o poder de compra dos americanos, aumentando o custo de importações e viagens ao estrangeiro, e pode exercer pressão inflacionária nos EUA. Por outro lado, tem incentivado investimentos em ativos considerados seguros, como o ouro, cujo preço duplicou no último ano.
Algumas moedas, como o euro e a libra, bem como várias divisas de mercados emergentes, têm valorizado face ao dólar, enquanto fundos de pensões europeus têm reduzido as suas posições em títulos do Tesouro norte-americano. Apesar destes movimentos, analistas sublinham que ainda não se configura uma narrativa de “venda total dos activos norte-americanos”, já que o mercado de ações dos EUA mantém-se próximo de máximos históricos.
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De acordo com especialistas do ING, o dólar poderá desvalorizar mais 4% a 5% ao longo do ano, à medida que as perspetivas de crescimento económico fora dos Estados Unidos melhoram.

