As detenções por infrações à imigração atingiram os níveis mais elevados de sempre no Reino Unido, na sequência de um reforço significativo das rusgas a empresas, sobretudo em Londres, revelou o Ministério do Interior britânico (Home Office).

A intensificação das operações ocorre no âmbito de uma ofensiva contra o trabalho ilegal, que abrangeu restaurantes, lavagens de automóveis, salões de unhas, barbearias, mercados, lojas e hotéis.
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Desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder, em julho de 2024, o número de rusgas aumentou 77%, resultando num crescimento de 83% nas detenções. No total, mais de 17.400 empresas foram alvo de fiscalizações, levando à detenção de mais de 12.300 pessoas suspeitas de se encontrarem a trabalhar ilegalmente no país.
As autoridades indicaram ainda um aumento das operações dirigidas a estafetas e motoristas de entregas, um sector considerado particularmente vulnerável à exploração de mão de obra sem autorização legal.
Multas recorde e reforço das penalizações para empresas
O Home Office divulgou imagens de detenções realizadas em restaurantes no leste de Londres e no hipódromo de Kempton Park, no condado de Surrey. Numa ação levada a cabo a 11 de dezembro, onze homens foram detidos num mercado de Natal, enquanto outras nove pessoas, de nacionalidades indiana, iraquiana e chinesa, foram arrestadas no recinto do hipódromo. Cinco dos detidos ficaram sob custódia a aguardar expulsão do Reino Unido, tendo os restantes sido libertados sob fiança.
Entre 1 de janeiro e o final de março do ano passado, 61 empresas londrinas foram multadas em mais de 3,2 milhões de libras por empregarem trabalhadores sem direito legal a trabalhar no Reino Unido. Este valor supera os quase 2,8 milhões de libras aplicados a cerca de 40 empresas da capital nos últimos três meses de 2024.
Entre as entidades sancionadas encontra-se a Sodexo, empresa de serviços sediada em Camden e contratada pelo Governo britânico, que recebeu uma multa de 55 mil libras por empregar um trabalhador em situação irregular.
Paralelamente, as coimas para empregadores foram agravadas: passaram de 15 mil para até 45 mil libras por trabalhador em caso de primeira infração, podendo atingir 60 mil libras por funcionário ilegal em situações de reincidência.
Governo promete controlo rigoroso das fronteiras
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, afirmou que não existe “lugar para o trabalho ilegal nas comunidades” e garantiu que o Governo continuará a reforçar a fiscalização para impedir que migrantes em situação irregular encontrem refúgio na economia paralela. Segundo a governante, o objectivo passa por restaurar a ordem e o controlo das fronteiras britânicas.
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Estas medidas enquadram-se num pacote mais vasto de reformas ao sistema de imigração, consideradas as mais profundas desde a Segunda Guerra Mundial. As propostas incluem alterações à aplicação dos direitos humanos em processos migratórios, sanções de vistos a países que não colaborem na readmissão de migrantes ilegais, restrições ao número de recursos em pedidos de asilo e iniciativas destinadas a travar as travessias do Canal da Mancha em pequenas embarcações.
Apesar do apoio do Governo, as reformas já suscitaram críticas internas, nomeadamente entre deputados do próprio Partido Trabalhista, que manifestaram reservas quanto ao impacto das novas regras.


Alguma coisa tem de ser feita relativamente a imigração ilegal, o governo não pode continuar a permitir a bagunça que ate agora tem vindo a ignorar.