Deficiência de vitamina B12 em dieta vegana associada à morte de estudante

Uma estudante universitária britânica morreu após desenvolver perturbações mentais associadas a uma deficiência grave de vitamina B12 provocada pela sua dieta vegan, concluiu uma investigação judicial no Reino Unido.

estudante universitária britânica
Deficiência de vitamina B12 em dieta vegana associada à morte de estudante © Family Handout

Georgina Owen, de 21 anos, estudante da Universidade de Swansea, seguia uma alimentação exclusivamente vegetal há cerca de três anos antes da sua morte, ocorrida em setembro de 2019. Segundo a investigação conduzida pelas autoridades britânicas, a jovem apresentava sinais de deterioração psicológica nos meses anteriores, incluindo comportamentos erráticos e crenças delirantes.

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A conclusão foi divulgada pela médica legista responsável pelo caso, Elizabeth Gray, que considerou existir uma relação direta entre a deficiência nutricional e o estado mental da estudante.

Investigação conclui que deficiência de vitamina B12 provocou delírios

Na decisão final, a médica legista afirmou que Georgina Owen morreu enquanto sofria, “com base no equilíbrio das probabilidades”, de crenças delirantes desencadeadas por uma deficiência de vitamina B12 desenvolvida como consequência direta da sua dieta vegan.

A vitamina B12 é um nutriente essencial para o funcionamento neurológico e para a produção de glóbulos vermelhos. A deficiência prolongada pode provocar sintomas graves, incluindo fadiga extrema, dificuldades cognitivas, ansiedade, paranoia e episódios psicóticos.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), os adultos necessitam de cerca de 1,5 microgramas de vitamina B12 por dia. O nutriente encontra-se principalmente em produtos de origem animal, como carne, peixe, leite e ovos, sendo mais difícil de obter através de uma alimentação exclusivamente vegetal.

Por esse motivo, pessoas veganas necessitam normalmente de recorrer a suplementos alimentares ou alimentos fortificados para evitar carências nutricionais.

Família revelou que estudante esquecia suplementos alimentares

Durante a investigação, a família de Georgina explicou que a jovem admitia esquecer-se frequentemente de tomar os suplementos de vitamina B12 recomendados para compensar a ausência de produtos animais na alimentação.

Segundo os familiares, a estudante tinha adquirido um spray orgânico de vitamina B12 proveniente do Canadá, acreditando que seria suficiente para manter níveis adequados do nutriente.

No entanto, análises sanguíneas realizadas após a morte confirmaram que Georgina apresentava uma deficiência significativa de vitamina B12.

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O pai da estudante, Julian Owen, cirurgião ortopédico consultor, afirmou que suspeitava fortemente que a deficiência nutricional pudesse ter desempenhado um papel importante na deterioração do estado psicológico da filha.

Especialistas identificaram sinais de deterioração mental

Um relatório elaborado por três especialistas concluiu que Georgina apresentava sinais progressivos de comprometimento cognitivo, ansiedade, fadiga e dificuldade na tomada de decisões simples.

Os peritos consideraram que os sintomas eram compatíveis com o desenvolvimento gradual de uma perturbação psiquiátrica que culminou em crenças delirantes.

As autoridades revelaram ainda que foram encontrados escritos pessoais da estudante que demonstravam um agravamento do seu estado mental nos meses anteriores à morte.

A família tinha procurado apoio psicológico para Georgina devido ao que inicialmente acreditava tratar-se apenas de ansiedade.

Família preparava regresso da estudante à universidade

A investigação revelou que os familiares estavam a planear acompanhar Georgina de regresso ao País de Gales, onde retomaria os estudos na Universidade de Swansea.

No entanto, no dia 19 de setembro de 2019, a família encontrou a jovem em estado crítico na residência familiar, em Essex, após uma tentativa de suicídio.

Georgina Owen foi transportada para o Hospital Addenbrooke’s, em Cambridge, onde acabou por morrer dois dias depois.

Especialistas alertam para importância da suplementação em dietas veganas

O caso voltou a gerar debate no Reino Unido sobre os cuidados necessários em dietas exclusivamente vegetais, sobretudo no que diz respeito à suplementação adequada de vitamina B12.

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Nutricionistas e médicos alertam que uma alimentação vegan pode ser saudável quando corretamente planeada, mas sublinham a importância de acompanhamento clínico e monitorização nutricional regular.

A deficiência de vitamina B12 pode desenvolver-se lentamente ao longo de meses ou anos e, em casos graves, provocar consequências neurológicas e psicológicas significativas caso não seja diagnosticada atempadamente.

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