Um homem de 29 anos morreu de forma imediata depois de ter sido electrocutado por um cabo eléctrico de 11 mil volts enquanto treinava para uma meia maratona, perto de Kendal, no condado de Cumbria, no norte de Inglaterra. A vítima foi identificada como John Henry Oates, conhecido por Harry.

O incidente ocorreu em Outubro de 2023, quando Harry corria por um caminho pedonal público na zona de Badger Gate. Durante o percurso, entrou em contacto com um condutor eléctrico suspenso a baixa altura, que se encontrava activo e representava um risco mortal. O jovem, que residia em Bristol, morreu instantaneamente.
Segundo foi apurado, o cabo eléctrico tinha-se soltado da sua posição habitual dois dias antes do acidente, ficando suspenso num equipamento situado mais abaixo no poste. Esta situação impediu que o condutor fosse devidamente ligado à terra, mantendo-se energizado.
Empresa responsável nega previsibilidade do incidente
A infraestrutura eléctrica envolvida pertence à Electricity North West Ltd, operadora da rede na região. Durante o inquérito judicial, a empresa sustentou que o acidente resultou de uma cadeia de acontecimentos única e que a situação era imprevisível, não tendo sido detectada automaticamente nem reportada por terceiros.
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No entanto, ficou também demonstrado que não existia um sistema eficaz de detecção automática de cabos pendentes e que, na ausência de alertas do público, as linhas eram reactivadas após falhas técnicas sem inspecção imediata no terreno.
Na semana da sua morte, Harry Oates tinha tido uma proposta aceite para a compra do seu primeiro apartamento, facto que acentuou o impacto emocional da tragédia junto da família.
Família exige respostas e aponta falhas de segurança
A família de Harry manifestou profunda indignação com as conclusões apresentadas pela empresa energética, considerando que a morte poderia ter sido evitada. Em comunicado, descreveu a dor como “imensurável” e rejeitou a ideia de que se tratou de um acidente isolado.

Representados por Gareth Naylor, director e responsável pela área de danos pessoais e inquéritos judiciais do escritório Ison Harrison Solicitors, os familiares afirmam ter identificado casos anteriores semelhantes na mesma região. Entre eles, a morte de um corredor em 2012, provocada por um cabo pendente após falha de um isolador, bem como outros incidentes que envolveram condutores activos a baixa altura, incluindo a morte de animais.
A família acusa a empresa de não ter aprendido com ocorrências anteriores, de falhas no desenho da infraestrutura e de não considerar devidamente a proximidade dos postes eléctricos a caminhos públicos. Critica ainda a ausência de medidas preventivas que garantissem que, em caso de falha, os cabos fossem automaticamente desenergizados ao tocar no solo.
Medidas adoptadas após a tragédia
Na sequência da morte de Harry Oates, a Electricity North West Ltd iniciou alterações aos seus procedimentos, incluindo patrulhas no terreno após alertas técnicos e a implementação gradual da tecnologia LineSight, destinada a detectar cabos em posições perigosas. Está igualmente prevista a substituição de isoladores considerados defeituosos.
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O inquérito levou o médico-legista a emitir um relatório de Prevenção de Mortes Futuras dirigido à Energy Network Association, com o objectivo de alertar outros operadores da rede para os riscos identificados.
A família espera que a morte de Harry resulte em mudanças estruturais a nível nacional, de forma a garantir maior segurança pública e evitar que outras famílias enfrentem perdas semelhantes.

