
A COP30, que está a decorrer em Belém, tem gerado intensos debates sobre a ambição e a eficácia das propostas apresentadas. O rascunho divulgado nesta sexta-feira (21) não agradou a especialistas, que o consideram insuficiente para enfrentar a grave crise climática que o mundo enfrenta.
A queima de combustíveis fósseis, responsável por 80% das emissões de gases de efeito estufa, permanece um tema central, mas a omissão de um compromisso claro sobre a eliminação dos mesmos é um ponto crítico.
O Rascunho de Belém e as Reações dos Ambientalistas
A primeira versão do rascunho já tinha gerado críticas por parte de ambientalistas, mas a versão divulgada agora, sem qualquer referência ao fim dos combustíveis fósseis, foi vista como um retrocesso. De acordo com especialistas, a ausência de um plano concreto para reduzir as emissões provenientes de combustíveis fósseis é uma falha grave, pois este setor é o principal responsável pela aceleração das mudanças climáticas.
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Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima, afirmou que o texto é “absolutamente insuficiente” para responder à crise climática. Ela ressaltou a omissão do “mapa do caminho” para o desmatamento, outro tema crucial nos discursos do presidente Lula durante a COP e na Cúpula de Líderes.
“Se é uma COP da implementação, se é a COP da verdade, se é a COP que realmente responde às necessidades da população já atingida pelos eventos climáticos extremos, o pacote apresentado não corresponde a essa ambição”, disse Herschmann.
Países em Conflito e Propostas de Mudança
O rascunho tem gerado uma intensa resistência, não só por parte de países produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, mas também de grandes nações em desenvolvimento, como a Índia e a China.
Estes países, preocupados com os impactos econômicos de uma transição energética apressada, têm pressionado para que a eliminação dos combustíveis fósseis não seja uma prioridade nas negociações.
Por outro lado, mais de 30 países, incluindo Alemanha, Bélgica, Colômbia, França e Reino Unido, enviaram uma carta conjunta à presidência da COP, exigindo que o tema do fim dos combustíveis fósseis seja mantido no rascunho.
Estes países destacam que a transição para fontes de energia limpas é crucial para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, objetivo principal do Acordo de Paris.
Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, também criticou o texto, apontando que embora mencione aspectos importantes, como os direitos territoriais de povos indígenas, falha em apresentar soluções concretas para a eliminação dos combustíveis fósseis e do desmatamento. “Precisamos de mais ambição e seriedade para colocar o mundo de volta na rota do limite de 1,5 grau de aquecimento”, afirmou.
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O Futuro das Negociações e o Papel da União Europeia
Enquanto as discussões continuam, uma possível solução para resolver o impasse seria a União Europeia aceitar discutir o artigo do Acordo de Paris que regulamenta o financiamento público aos países em desenvolvimento.
Este ponto é visto como um obstáculo, pois países árabes e outros em desenvolvimento estão a exigir condições mais favoráveis no que diz respeito à mobilização de recursos financeiros para a adaptação às mudanças climáticas.
No rascunho atual, um plano de trabalho de dois anos foi proposto, mas com poucas novidades em relação ao que já havia sido acordado. A proposta sugere que os países ricos liderem a mobilização de recursos, mas dilui as responsabilidades com o setor privado, algo que não é bem recebido por todas as partes.
Além disso, a sugestão de triplicar o financiamento para adaptação às mudanças climáticas é mencionada de forma vaga, sem esclarecer como esse objetivo será alcançado na prática.
Até o momento, não há uma previsão concreta para a publicação do texto final. O processo de aprovação requer consenso entre os quase 200 países participantes da COP30, o que indica que as negociações continuarão intensas nas próximas semanas.

