Bolsonaro Inicia Pena 244 Dias Após Virar Réu por Tentativa de Golpe

Jair Bolsonaro Inicia Pena Após Virar Réu por Tentativa de Golpe
Jair Bolsonaro Inicia Pena Após Virar Réu por Tentativa de Golpe © Reuters/Mateus Bonomi

Após meses de deliberação, o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, começa a cumprir sua pena de 27 anos e 3 meses de prisão por sua participação no plano de golpe de Estado, um marco decisivo na história política recente do Brasil. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o início do cumprimento da pena em 25 de novembro, após o trânsito em julgado do processo.

Cela de Bolsonaro na PF em Brasília. © O Globo

Bolsonaro foi condenado a cumprir a pena em regime fechado, e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece em uma sala especial destinada a presos de alta relevância. O local, equipado com cama de solteiro, televisão e ar-condicionado, foi mostrado em um vídeo que circulou nas redes sociais.

A decisão sobre o início da execução da pena veio após o prazo para novos embargos de declaração ter expirado, sem que a defesa de Bolsonaro apresentasse qualquer recurso adicional. A defesa do ex-presidente havia argumentado que ainda havia a possibilidade de apresentação de embargos infringentes, mas o STF reafirmou sua posição, explicando que tal recurso só seria admissível com pelo menos dois votos favoráveis à absolvição, o que não ocorreu, apenas o ministro Luiz Fux votou contra a condenação de Bolsonaro.

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O ministro Alexandre de Moraes certificou que, com a impossibilidade de novos recursos, o Acórdão condenatório transitou em julgado, marcando o início da execução da pena. Moraes afirmou:

“Assim, sendo incabível qualquer outro recurso, inclusive os embargos infringentes, a Secretária Judiciária desta Suprema Corte certificou o trânsito em julgado do Acórdão condenatório em relação ao réu Jair Messias Bolsonaro.”

A defesa, por sua vez, contestou a decisão, classificando-a como “surpreendente” e afirmando que o prazo para embargos infringentes ainda estava em aberto. No entanto, o STF manteve a decisão, sem admitir novos recursos.

O Processo Judicial: Acusações e Crimes Imputados a Bolsonaro

O processo que resultou na condenação de Bolsonaro começou a ser analisado em março deste ano, quando os ministros da Primeira Turma do STF aceitaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentando indícios suficientes de que o ex-presidente teria cometido crimes contra a democracia, como tentativa de golpe de Estado e violação do Estado Democrático de Direito.

Na acusação, Bolsonaro foi responsabilizado por cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio público qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.

Durante o processo, foram ouvidas quase 60 testemunhas e realizados os interrogatórios de todos os réus envolvidos. As defesas tentaram questionar a imparcialidade de Alexandre de Moraes, além de contestarem a validade da delação de Cid, que apresentou contradições e descumprimentos do acordo de colaboração.

A sentença final foi dada após um longo período de tramitação, com recursos sendo julgados e diversos atos processuais realizados, incluindo manifestações das defesas e recursos contra as condenações.

Reações Políticas e Internacionais à Condenação de Bolsonaro

Jair Bolsonaro Inicia Pena Após Virar Réu por Tentativa de Golpe
Jair Bolsonaro começa a cumprir pena após ser acusado de tentativa de golpe. © EPA

O caso Bolsonaro não só dividiu a opinião pública brasileira, mas também gerou tensões no cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a defender Bolsonaro, considerando o processo como uma “caça às bruxas” e impondo sanções econômicas ao Brasil, incluindo a punibilidade de ministros do STF, como Alexandre de Moraes.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, também foi implicado na investigação por coação no curso do processo, tendo se tornado réu por tentativa de obstrução da justiça.

Além disso, a questão da prisão domiciliar de Bolsonaro gerou controvérsias. Em agosto, o ex-presidente teve sua prisão domiciliar decretada após a descoberta de uma tentativa de obstrução da justiça. Desde então, Bolsonaro está proibido de utilizar telefone celular e redes sociais, podendo apenas receber visitas previamente autorizadas por Moraes.

No entanto, a defesa do ex-presidente pediu, no último domingo (23), a substituição da prisão por regime domiciliar, alegando questões de saúde e idade avançada. Um pedido similar havia sido feito no passado por outros ex-presidentes, como Fernando Collor, que também passou a cumprir prisão domiciliar por motivos de saúde.

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A decisão sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro não é apenas uma questão de saúde, mas também reflete uma estratégia de defesa que tem implicações políticas significativas. Se concedida, a prisão domiciliar poderia suavizar o impacto da pena em um contexto onde a oposição à sua condenação permanece forte.

Agora, com a decisão de trânsito em julgado, Bolsonaro inicia a contagem oficial do cumprimento de sua pena, em um momento decisivo da trama que abalou o cenário político do país.

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