Colapso de mina mata mais de 200 pessoas na RDC

Mais de 200 pessoas morreram após o colapso de uma mina de coltan na localidade de Rubaya, na província do Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC). A tragédia ocorreu na quarta-feira, na sequência de chuvas torrenciais que provocaram deslizamentos de terras, fazendo ceder a estrutura subterrânea onde trabalhavam centenas de mineiros.

localidade de Rubaya
Colapso de mina mata mais de 200 pessoas na RDC © AFP

De acordo com autoridades locais, entre as vítimas encontram-se homens, mulheres e crianças que se encontravam no interior da mina no momento do desabamento. O colapso terá sido agravado pela fragilidade do solo durante a actual época chuvosa e pela falta de manutenção adequada da infra-estrutura.

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Lumumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador do Kivu do Norte nomeado pelas autoridades rebeldes, afirmou que muitos corpos continuam soterrados na lama. “Para já, contabilizamos mais de 200 mortos, alguns dos quais ainda não foram recuperados. Há também feridos graves que foram resgatados a tempo”, declarou.

Feridos transferidos e dificuldades nas operações de resgate

As vítimas resgatadas com ferimentos graves foram inicialmente encaminhadas para três unidades de saúde em Rubaya, estando prevista a transferência de alguns doentes para a cidade de Goma, situada a cerca de 50 quilómetros. As operações de socorro enfrentam dificuldades significativas devido às condições meteorológicas adversas, ao terreno instável e à falta de meios adequados.

Testemunhas relataram momentos de pânico após o deslizamento. Franck Bolingo, mineiro local, explicou que “choveu intensamente, o solo cedeu de repente e muitas pessoas foram arrastadas. Algumas ficaram enterradas vivas e outras continuam presas nos túneis”.

A mina de Rubaya encontra-se numa zona controlada desde Maio de 2024 pelo grupo rebelde M23, o que complica ainda mais a coordenação dos esforços de emergência e a fiscalização das condições de segurança no local.

Importância estratégica do coltan e mineração informal

A mina de Rubaya é responsável por cerca de 15% da produção mundial de coltan, um minério essencial para a fabricação de tantalum, utilizado em equipamentos electrónicos como telemóveis, computadores e componentes da indústria aeronáutica. A extracção é feita maioritariamente de forma artesanal, recorrendo a mão-de-obra local mal remunerada, que aufere apenas alguns dólares por dia.

 República Democrática
Importância estratégica do coltan e mineração informal © AFP

A República Democrática do Congo alberga entre 1,5 e 2 milhões de trabalhadores na mineração informal e não regulamentada, segundo organizações de defesa dos direitos humanos. A ausência de normas de segurança e a exploração em zonas instáveis tornam estes trabalhadores particularmente vulneráveis a acidentes fatais.

Crise prolongada e antecedentes trágicos no sector mineiro

O leste da RDC vive há décadas um cenário de instabilidade marcado por conflitos armados, controlo de recursos naturais por grupos rebeldes e uma grave crise humanitária, que já obrigou mais de sete milhões de pessoas a abandonar as suas casas.

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Em Novembro do ano passado, pelo menos 32 pessoas morreram no colapso de uma ponte improvisada numa mina de cobalto e cobre na província de Lualaba, no sudoeste do país, numa área onde já existiam alertas devido ao risco de deslizamentos.

A RDC é o maior produtor mundial de cobalto, responsável por mais de 70% da oferta global, desempenhando um papel central na cadeia de abastecimento de matérias-primas essenciais para a transição energética e tecnológica. Contudo, tragédias como a de Rubaya expõem os elevados custos humanos associados à exploração mineira sem controlo adequado.

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