Um cirurgião ortopédico do Great Ormond Street Hospital (GOSH), em Londres, terá causado danos a cerca de 100 crianças na sequência de cirurgias mal executadas, segundo um relatório interno agora concluído. O médico em causa é Yasser Jabbar, de 43 anos, antigo cirurgião do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), que trabalhou no hospital entre junho de 2017 e setembro de 2023.

As conclusões apontam para consequências graves em dezenas de pacientes pediátricos, incluindo dor crónica, deformidades permanentes, lesões nervosas irreversíveis e, pelo menos, um caso de amputação.
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Revisão clínica identifica dezenas de casos de danos graves
O Great Ormond Street Hospital ordenou uma revisão aos cuidados prestados a 721 pacientes tratados por Yasser Jabbar, número que aumentou para 789 casos após a identificação de mais 68 crianças durante o processo de análise. De acordo com o relatório, entre 85 e 100 crianças sofreram algum nível de dano.
Pelo menos 32 pacientes foram classificados como tendo sofrido danos graves, com impactos potencialmente permanentes, enquanto 36 casos foram considerados de gravidade moderada e 18 de menor gravidade. Entre as sequelas identificadas estão diferenças significativas no comprimento das pernas, em alguns casos até 20 centímetros, e a condição conhecida como pé pendente, que dificulta a marcha normal.
Famílias denunciam falhas e alegada cultura de encobrimento
Apesar da divulgação dos resultados, várias famílias criticaram duramente o relatório, acusando o hospital de manter uma “cultura de encobrimento” e de minimizar o impacto real sofrido pelas crianças. Alguns pais afirmam que os relatórios individuais não refletem a verdadeira dimensão das intervenções cirúrgicas nem o sofrimento prolongado dos pacientes.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Bunty, uma criança nascida com uma doença óssea rara e uma condição genética associada ao crescimento de tumores nos nervos. Ao longo de 15 meses, foi submetida a várias cirurgias que falharam, culminando numa amputação abaixo do joelho em 2020. O relatório classificou o impacto físico como moderado, uma avaliação que a família contesta.
Suspensão, saída do hospital e críticas à supervisão
Yasser Jabbar deixou de tratar pacientes no GOSH em 2022, após o surgimento de preocupações sobre o seu trabalho. Um relatório do Royal College of Surgeons concluiu posteriormente que algumas intervenções foram “inapropriadas” e “incorretas”, levando à sua saída do hospital em 2023.

Após abandonar o Reino Unido, o cirurgião mudou-se para o Dubai, onde continuou a exercer até que investigações jornalísticas levaram à sua remoção de conferências médicas e de plataformas institucionais.
Hospital pede desculpas e reconhece impacto nas famílias
O Great Ormond Street Hospital anunciou que irá apresentar formalmente os resultados do relatório ao seu conselho de administração a 29 de janeiro, mais de dois anos após a suspensão inicial do cirurgião. A instituição comprometeu-se a fornecer relatórios independentes a todos os pacientes afetados.
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Em comunicado, o hospital afirmou estar “profundamente arrependido” pelos danos causados às crianças e respetivas famílias, reconhecendo que nenhuma revisão poderá compensar o sofrimento vivido. No entanto, fontes internas citadas pela imprensa britânica questionam se as falhas culturais e de supervisão identificadas foram efetivamente corrigidas.

