Cheias em Moçambique: Educação luta para salvar ano lectivo

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com parceiros para garantir que o ano lectivo de 2026 arranque a tempo, mesmo nas escolas afectadas pelas recentes cheias e inundações que devastaram várias regiões do país.

Estudantes na sala de aula
Cheias em Moçambique: Educação luta para salvar ano lectivo © Direitos Reservados

Ministérios e parceiros colaboram para assegurar o ensino

De acordo com o porta-voz do MEC, Silvestre Dava, a prioridade é encontrar soluções rápidas para as escolas que continuam a funcionar como centros de acolhimento ou que sofreram danos significativos nas suas infraestruturas. Durante a sua intervenção no programa “Linha Directa” da Rádio Moçambique, Dava confirmou que sete escolas ainda estão a operar como abrigos temporários, enquanto 15 outras permanecem sitiadas devido às condições adversas provocadas pelas cheias, conforme reportado pelo Aim News.

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Em resposta a este cenário, o Ministério da Educação tem contado com o apoio de parceiros, que já disponibilizaram materiais essenciais para permitir a continuidade do ensino e aprendizagem, apesar das dificuldades logísticas. Entre os recursos fornecidos estão tendas escolares, que serão instaladas nas áreas mais afetadas, incluindo nas escolas que ainda acolhem vítimas das intempéries e nas que sofreram destruição das suas salas de aula.

Ajustes curriculares e calendário escolar alternativo

O representante da Organização Nacional dos Professores (ONP), Américo Pedro, manifestou a expectativa de que o MEC faça ajustes nos conteúdos académicos, de forma a adequá-los à realidade atual do país, marcada pela perda de infraestrutura e pela instabilidade social. Segundo Pedro, a adaptação dos programas de ensino é essencial para garantir que os alunos possam assimilar os conteúdos de forma eficaz, sem que o atraso provocado pelas cheias se traduza numa perda de qualidade no ensino.

Além disso, o representante do Movimento Educação para Todos, Leonardo Munguambe, sugeriu a implementação de um calendário escolar alternativo. De acordo com Munguambe, experiências anteriores, como no caso de Cabo Delgado, em que os alunos realizaram exames fora do período normal devido a situações adversas, demonstram a necessidade de uma abordagem flexível. Ele defende que o MEC deve criar um plano que permita a recuperação do tempo perdido, garantindo que os alunos não sejam prejudicados nas suas aprendizagens.

Impactos emocionais do regresso às aulas

Além dos desafios logísticos e pedagógicos, o psicólogo Assimo Shaguana alertou para os possíveis impactos emocionais do regresso às aulas, especialmente para os alunos e professores que foram directamente afectados pelas cheias. Shaguana sublinhou que o processo de aprendizagem exige estabilidade emocional, algo que pode estar comprometido devido aos danos visíveis nas escolas e à perda do ambiente familiar de aprendizagem.

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O psicólogo sugeriu que, além das soluções administrativas, seja dada atenção ao apoio psicológico dos envolvidos, para minimizar o choque emocional e permitir que o ensino decorra de forma mais tranquila e produtiva.

O MEC continua a trabalhar junto com os parceiros para garantir que as condições mínimas para o ensino sejam asseguradas, e que o início do ano lectivo de 2026 se realize com o menor impacto possível para os alunos e a comunidade escolar.

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