Canábis domina consumo de drogas em Portugal, revela estudo europeu

A canábis continua a liderar o consumo de drogas ilícitas em Portugal, segundo os dados mais recentes do Inquérito Online Europeu sobre Drogas, apresentados esta terça-feira pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).

Canábis domina consumo de drogas em Portugal, revela estudo europeu
Canábis domina consumo de drogas em Portugal, revela estudo europeu © Unsplash/Wesley Gibbs

O estudo revela padrões de consumo regulares, com maior incidência na população masculina, e destaca a canábis como a substância com uso mais frequente face a outras drogas analisadas.

Consumo de canábis mantém-se elevado e regular

De acordo com o inquérito relativo a 2024, três quartos dos consumidores de canábis afirmam ter usado a substância em mais de 50 ocasiões ao longo dos 12 meses anteriores. A prevalência de consumo recente situa-se nos 2% na população entre os 15 e os 74 anos, aumentando para 5% no grupo etário dos 15 aos 34 anos, valores superiores entre os homens.

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O inquérito contou com a participação de aproximadamente 66 mil pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, oriundas de 35 países, entre as quais 1098 vivem em Portugal. Realizado em colaboração com a Agência Europeia sobre Drogas, o estudo tem periodicidade trienal e pretende melhorar a compreensão dos comportamentos de consumo e das formas de acesso às drogas, tanto a nível europeu como em cada país participante.

Canábis domina consumo de drogas em Portugal, revela estudo europeu
Canábis domina consumo de drogas em Portugal, revela estudo europeu © Jcomp via freepik

Diferenças de género e distribuição regional

Os dados indicam que o consumo de canábis é maioritariamente masculino. Entre os participantes que declararam consumir esta substância, 63% são do sexo masculino e 36% do feminino, considerando o sexo atribuído à nascença. Em termos de identidade de género, 64% identificam-se como homens, 34% como mulheres e 2% como não binários.

A distribuição geográfica dos consumidores revela maior concentração nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, com 33% dos inquiridos, seguida dos Açores (25%) e do Norte (20%). As restantes regiões apresentam percentagens mais reduzidas, nomeadamente o Centro (14%), Algarve (5%), Alentejo (3%) e a Região Autónoma da Madeira (1%).

Tipos de canábis consumidos e prática de policonsumo

A forma mais comum de consumo é a canábis herbácea, utilizada por 90% dos inquiridos, seguida da resina, referida por 65%. A quase totalidade dos consumidores utiliza uma destas formas ou ambas. O relatório identifica ainda o uso de produtos comestíveis, óleos ou extractos, cristais, cosméticos e e-líquidos, embora com menor expressão.

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O estudo destaca igualmente a prática generalizada de policonsumo. Ainda que os consumidores de canábis sejam os que menos associam esta droga a outras substâncias, cerca de 70% admitem fazê-lo. Mais de 80% dos utilizadores misturam tabaco com a canábis, e quase todos referem ter consumido também álcool e tabaco ao longo do último ano.

Os resultados reforçam a relevância da canábis no panorama dos consumos em Portugal e fornecem indicadores essenciais para a definição de políticas públicas e estratégias de prevenção no âmbito das dependências.

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