Uma cirurgiã veterinária britânica foi indemnizada em mais de 12 mil libras depois de um tribunal do trabalho concluir que foi sujeita a condições laborais excessivas e prejudiciais à sua saúde mental. Michelle Beckett alegou que era frequentemente obrigada a trabalhar longas horas sem pausas para almoço, situação que acabou por provocar esgotamento profissional e stress relacionado com o trabalho.

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A profissional trabalhava para o grupo veterinário CVS desde setembro de 2020, desempenhando funções na clínica Pet Doctors, em Chichester, e maioritariamente na unidade de Felpham, em West Sussex.
Tribunal reconhece impacto das condições de trabalho na saúde mental
Segundo o tribunal, Michelle Beckett realizava regularmente horas extraordinárias não remuneradas devido à elevada carga de trabalho e às falhas identificadas nos cuidados prestados aos animais. A veterinária denunciou ainda a existência de um ambiente laboral tóxico, marcado por conflitos entre funcionários administrativos e a equipa profissional.
Em outubro de 2023, Beckett alertou a direção da clínica para situações de cuidados abaixo do padrão esperado, mas sentiu que as suas preocupações não foram levadas a sério. Meses depois, em janeiro de 2024, acabou por ser afastada do trabalho por indicação médica devido a burnout e stress laboral.
Antes de regressar ao serviço, em março de 2024, a veterinária informou a entidade patronal de que os problemas vividos no local de trabalho tinham afetado significativamente a sua saúde mental. Um relatório de saúde ocupacional concluiu que o histórico de stress profissional e depressão poderia influenciar o seu comportamento e as interações com colegas, recomendando medidas de apoio no ambiente de trabalho.
Apesar disso, Michelle Beckett afirmou que continuou a trabalhar sob forte pressão e sem conseguir usufruir das pausas para almoço durante o seu regresso faseado às funções.
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Diretora da clínica levou cão pessoal para tratamento fora do horário laboral
O caso agravou-se em abril de 2024, quando a diretora da clínica, Lucy Millett, pediu ajuda à veterinária para tratar o seu próprio cão antes do início do expediente. Beckett continuou a responder às questões relacionadas com o animal até às 20h desse dia, acumulando mais de dez horas de trabalho sem qualquer pausa para almoço.
No mês seguinte, a profissional foi convocada para uma reunião que, alegadamente, serviria para discutir alterações na supervisão hierárquica. No entanto, a sessão acabou por assumir um caráter disciplinar informal, durante a qual Lucy Millett apresentou críticas e acusações relativas ao comportamento da veterinária.
Entre as queixas apresentadas, a diretora alegou que Beckett falava de forma pouco cordial com colegas e referiu o incómodo causado pelas preocupações levantadas pela veterinária. O tribunal ouviu ainda que Millett admitiu nunca ter lido o relatório de saúde ocupacional que explicava o impacto das condições psicológicas da funcionária no ambiente profissional.
Michelle Beckett demitiu-se em julho de 2024, alegando quebra do dever de cuidado por parte da empresa. Posteriormente, apresentou uma queixa formal, que acabou rejeitada pela CVS.
Empresa condenada por violação da relação de confiança com funcionária
O painel do tribunal concluiu que a CVS violou os seus próprios procedimentos internos ao avançar com ações disciplinares contra a veterinária, sobretudo numa fase em que tinha conhecimento do recente afastamento por motivos de saúde mental.
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Os juízes consideraram que a empresa quebrou a relação de confiança e causou elevado sofrimento emocional à funcionária ao prosseguir com a reunião disciplinar em maio de 2024.
Além da indemnização por despedimento construtivo sem justa causa, a entidade patronal reconheceu ainda deduções salariais ilegais relacionadas com horas de trabalho não remuneradas. Desde a saída da CVS, Michelle Beckett passou a exercer atividade como veterinária locum em regime independente.

