Banco de Moçambique recusa financiar importação de combustíveis

O Banco de Moçambique reafirmou que não prevê retomar o financiamento directo das importações de combustíveis, apesar das actuais tensões no fornecimento internacional provocadas pelo conflito no Médio Oriente.

Maputo mocambique
Banco de Moçambique recusa financiar importação de combustíveis © Direitos Reservados

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A posição foi expressa pelo governador, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada esta segunda-feira, em Maputo. Questionado pelos jornalistas, o responsável destacou que, para já, não existe necessidade de alterar a estratégia adoptada.

Segundo explicou, o sistema bancário nacional tem conseguido assegurar o financiamento necessário para a importação de combustíveis, ainda que reconheça que o processo não é isento de desafios. Ainda assim, considera que o desempenho dos bancos comerciais tem sido suficiente para garantir o abastecimento de forma “razoavelmente estável”.

Reservas e contexto internacional influenciam cenário energético

Entretanto, dados avançados pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, indicam que Moçambique dispunha, a 10 de Março, de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis. Este volume é considerado suficiente para responder às necessidades do país até ao início de Maio.

Estas reservas foram adquiridas antes do agravamento da crise no Médio Oriente, marcada pelo bloqueio de rotas estratégicas no estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo. Refira-se que aproximadamente 80% das importações de combustíveis de Moçambique passam por esta região.

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O país enfrentou, nos primeiros meses de 2025, constrangimentos no abastecimento, associados sobretudo à escassez de divisas no mercado cambial. Em resposta, o Banco de Moçambique implementou medidas para reforçar a disponibilidade de moeda estrangeira junto da banca, facilitando assim as operações de importação.

Fim do financiamento directo remonta a 2023

O Banco de Moçambique deixou de comparticipar directamente as importações de combustíveis em 2023, justificando que o sector bancário já reunia condições para suportar estas operações.

Historicamente, esta intervenção teve início em 2005 e chegou a cobrir a totalidade das faturas após 2010, numa altura em que os montantes envolvidos eram elevados e difíceis de suportar individualmente pelas instituições financeiras.

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Contudo, nos últimos anos, verificou-se uma fragmentação significativa das faturas, muitas vezes inferiores a um milhão de dólares, permitindo uma maior participação de bancos de menor dimensão no financiamento deste sector estratégico.

Desta forma, o banco central considera que o modelo actual continua adequado, não justificando, para já, qualquer regresso ao financiamento directo das importações de combustíveis.

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