A atriz e comediante canadiana Claire Brosseau, de 48 anos, revelou estar a travar uma batalha legal para ter acesso ao suicídio medicamente assistido no Canadá, alegando sofrer, desde a infância, de problemas graves e persistentes de saúde mental. A artista afirma desejar morrer desde os oito anos e considera que já esgotou todas as opções terapêuticas disponíveis.

Em 2021, Claire apresentou um pedido ao abrigo do programa federal de Assistência Médica para Morrer (MAiD). No entanto, a legislação canadiana exclui, para já, pessoas cujas doenças estejam exclusivamente associadas à saúde mental, impedindo o acesso ao regime.
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Longo historial clínico e múltiplas tentativas de tratamento
Numa carta aberta publicada no seu Substack e citada pelo New York Times, Claire Brosseau relatou ter sido diagnosticada, ao longo da vida, com transtorno bipolar, ansiedade, ideação suicida crónica, perturbações alimentares, transtornos de personalidade, dependência de substâncias e perturbação de stress pós-traumático (PTSD), entre outros problemas.
A atriz refere ter sido acompanhada por psiquiatras, psicólogos e terapeutas em vários pontos da América do Norte, tendo experimentado diversos medicamentos, terapias convencionais e até experiências psicadélicas guiadas. Apesar de alguns períodos de melhoria, os sintomas regressavam de forma recorrente.
Claire afirma ter tentado suicidar-se em várias ocasiões, sublinhando que o sofrimento psicológico tem sido constante desde a infância.
Carreira de sucesso marcada por crises pessoais
Natural de Montreal, Claire Brosseau destacou-se desde cedo como aluna exemplar e talentosa, tendo integrado um programa de teatro de elite ainda no ensino secundário. Aos 16 anos, mudou-se para Nova Iorque para estudar na Neighborhood Playhouse School of Theater, onde iniciou uma carreira que lhe permitiu trabalhar regularmente em musicais, cinema e televisão.

Apesar do sucesso profissional, a atriz sofreu um episódio maníaco-depressivo no início da idade adulta, que levou a um internamento prolongado. Embora a carreira tenha voltado a ganhar fôlego, com participações em programas de rádio, televisão e projetos internacionais, Claire afirma que os problemas de saúde mental continuaram a comprometer o seu bem-estar.
Em declarações ao New York Times, descreveu episódios de profundo sofrimento emocional, mesmo em momentos de reconhecimento profissional, confessando que regressava sozinha aos hotéis em estado de desespero.
Processo judicial contra o Estado canadiano
A legislação canadiana previa a inclusão de pessoas com doenças mentais no programa maid após março de 2023, mas essa alteração foi adiada por duas vezes, podendo apenas entrar em vigor em 2027. Perante este cenário, Claire Brosseau avançou com uma queixa no Tribunal Superior de Ontário, alegando que a lei atual viola os seus direitos fundamentais e é discriminatória.
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A atriz move a ação judicial em conjunto com John Scully, ex-correspondente de guerra que sofre de PTSD. Ambos defendem que pessoas com sofrimento psicológico grave, crónico e irreversível devem ter o mesmo direito a uma morte assistida considerada digna.
O debate em torno da inclusão da saúde mental no regime de suicídio assistido continua a gerar forte controvérsia no Canadá, dividindo especialistas, legisladores e a opinião pública.

