O patriarca de Lisboa, Rui Valério, afirmou esta quarta-feira, em Fátima, que “ninguém é estrangeiro” e que a humanidade só alcançará a paz quando se reconhecer como uma verdadeira família. A mensagem foi transmitida durante a missa de encerramento da peregrinação internacional de 12 e 13 de maio, no Santuário de Fátima.

Perante milhares de fiéis, o responsável religioso sublinhou ainda que Fátima deve ser entendida não como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida para a vida quotidiana dos crentes.
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Fátima como “escola de transformação interior” e missão cristã
Na homilia, Rui Valério defendeu que a experiência vivida em Fátima não pode ficar confinada ao espaço do santuário, mas deve refletir-se no dia a dia dos peregrinos. “Viemos como peregrinos, partimos como discípulos missionários”, afirmou, sublinhando que a mensagem vivida na Cova da Iria deve ser levada para as famílias, escolas, locais de trabalho e comunidades.
O patriarca de Lisboa destacou ainda que a Mensagem de Fátima só é plenamente acolhida quando se transforma em missão. Nesse sentido, apelou a uma vivência cristã mais ativa, centrada na transformação interior e na abertura ao outro.
“Aqui ninguém é estrangeiro, aqui ninguém está sozinho”, reforçou, acrescentando que a verdadeira paz nasce quando a humanidade reconhece a sua dimensão fraterna.
Rui Valério sublinhou também que não basta “admirar Fátima”, sendo necessário “viver Fátima”, através de gestos concretos como a promoção da reconciliação, da esperança e da paz no quotidiano.
Centenas de milhares de peregrinos e memória histórica marcam celebração
A peregrinação internacional reuniu cerca de 180 mil fiéis, segundo o Santuário de Fátima, vindos de vários países e culturas, num ambiente de oração e celebração marcado pela diversidade linguística e pela união espiritual.
O patriarca recordou que todos os presentes estavam ligados pela mesma fé e pela mesma “luz”, sublinhando a dimensão universal da mensagem de Fátima, que este ano assinala 109 anos dos acontecimentos da Cova da Iria.
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A celebração ficou também marcada por referências históricas ao atentado contra o Papa João Paulo II, ocorrido há 45 anos na Praça de São Pedro, em Roma. A bala desse ataque encontra-se atualmente na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Durante a missa foi utilizado um cálice oferecido pelo Papa polaco ao Santuário de Fátima, numa das suas visitas ao local, reforçando a ligação entre o pontificado de João Paulo II e a devoção mariana.
Memória de João Paulo II e simbolismo da mensagem de Fátima
Na conferência de imprensa que antecedeu a peregrinação, o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, destacou a importância da data ligada ao atentado de 1981, sublinhando a leitura espiritual associada ao acontecimento.
Segundo o responsável, a Mensagem de Fátima reforça a ideia de que “o poder da oração é mais forte que o poder das balas”, numa referência ao simbolismo da bala preservada no santuário.
O Papa João Paulo II viria a peregrinar a Fátima em 1982 para agradecer a Nossa Senhora pela sua sobrevivência ao atentado, reforçando a ligação histórica e espiritual entre o pontificado e o santuário português.
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Na noite de 12 de maio, em 1982, o Santuário de Fátima foi ainda palco de uma tentativa de agressão, quando o padre espanhol Juan Fernández Krohn tentou atacar o Papa durante a sua visita ao recinto, episódio que marcou a história recente do local.
A celebração desta peregrinação voltou, assim, a reforçar o papel de Fátima como espaço central da devoção mariana e da mensagem de paz e reconciliação transmitida ao longo das últimas décadas.

